Défice de iodo na gravidez pode afectar formação do bebé

Défice de iodo na gravidez pode afectar formação do bebé

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João Jácome de Castro
João Jácome de Castro
Endocrinologista e secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo

O iodo é um elemento indispensável para o funcionamento correcto da tiróide, uma glândula que se encontra na parte anterior do pescoço e que tem a função de produzir hormonas que regulam várias actividades do organismo. Este micronutriente é essencial e insubstituível na estrutura molecular das hormonas tiroideias, necessárias ao normal funcionamento de praticamente todos os órgãos.

Os oceanos são os principais repositórios de iodo, já que os solos, pela erosão das chuvas, são habitualmente pobres neste elemento. As principais fontes alimentares de iodo são o peixe e marisco, as algas marinhas, o leite e alguns legumes e vegetais.

As mulheres grávidas constituem um grupo de elevado risco para a carência de iodo. Nesta fase da vida da mulher, uma adequada ingestão deste elemento torna-se necessária para completar as necessidades da grávida e para assegurar um adequado desenvolvimento do cérebro do feto.

O défice de iodo durante a gravidez pode causar bócio, hipotiroidismo, aumento da mortalidade neonatal, atraso no desenvolvimento na criança e défices intelectuais, que na sua forma extrema levam ao cretinismo.

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Estudos recentes, realizados pelo Grupo de Estudos da Tiróide, da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, concluíram que as grávidas portuguesas apresentam um aporte insuficiente de iodo.

De acordo com os critérios da Organização Mundial de Saúde, apenas 17 por cento das mulheres portuguesas ingeriam uma quantidade de iodo suficiente. Na Madeira, 92 por cento das grávidas apresentavam níveis de iodo baixos e nos Açores a percentagem de grávidas com défice iodo chegou aos 99 por cento.

Em consequência dos estudos desenvolvidos no nosso país, e indo ao encontro das recomendações internacionais, a Direcção Geral da Saúde passou a recomendar, desde o final do ano passado a todas as mulheres grávidas, que estão a pensar engravidar ou que se encontram em período de amamentação, o consumo de um suplemento diário de iodo sob a forma de iodeto de potássio.

Este será um dos temas em debate no 15º Congresso Português de Endocrinologia que decorrerá de 23 a 26 de Janeiro, no Algarve. Para mais informações consulte http://www.spedm.org.

 

 

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