Irão e comunidade internacional avançam para consenso no nuclear

Irão e comunidade internacional avançam para consenso no nuclear

421
PARTILHE
Yukiya Amano
Yukiya Amano, director-Geral da Agência Internacional de Energia Atómica, anunciou hoje o início da implementação do Acordo de Genebra

Começou hoje a implementação do Plano de Acção Conjunta relativo ao Programa Nuclear do Irão. O anúncio foi feito a partir de Viena por Yukiya Amano, Director-Geral da Agência Internacional de Energia Atómica (IAEA) que, de cordo com a instituição, disse “informei hoje o Conselho de Governadores [da IAEA] da situação do Irão face ao Plano de Acção Conjunta acordado entre os EU 3+3 e o Irão, a 24 de Novembro de 2013”.

Este acordo celebrado pelos EU 3+3 – plataforma constituída pelos EU 3 (as três potências nucleares da União Europeia, Alemanha, França e Reino Unido) e os +3 (China, Estados Unidos da América e Rússia, outras três potências nucleares no mundo) – e o Irão tem como objectivo principal, nos termos do texto do acordo assinado em Genebra, “alcançar um consenso de longo prazo que assegure que o programa nuclear do Irão terá exclusivamente fins pacíficos”.

Os termos do acordo

Na primeira fase do acordo, que agora começou, o Irão compromete-se a transformar metade do seu stock de urânio enriquecido a 20% em material cujo grau de enriquecimento não ultrapasse os 5%, valor que a comunidade internacional vê como suficiente para fins meramente civis como a produção energética e que não permite o desenvolvimento de armas nucleares. Quanto aos restantes 50% do Urânio enriquecido a 20%, o Irão terá de mante-los apenas para fim de stock de combustível para alimentar o Reactor de Investigação de Teerão.

O Irão compromete-se a não enriquecer qualquer urânio a mais de 5%, a parar os avanços de investigação nas instalações nucleares de Natanz e Arak e a não construir novas instalações destinadas a propósitos de investigação ou manipulação de materiais nucleares.

Ainda durante este período de seis meses, que pode ser renovado por acordo, o Irão permitirá um aumento das acções inspectivas da IAEA.

Por seu turno a comunidade internacional compromete-, durante os mesmos seis meses, a desbloquear parcialmente as vendas de crude do Irão a países estrangeiros e a permitir o repatriamento para o país de valores retidos relativos à venda de crude, nomeadamente por países da União Europeia e pelos Estados Unidos da América.

A comunidade internacional compromete-se ainda a suspender as sanções ao Irão decretadas pelas Nações Unidas e pela União Europeia e a permitir àquele país ter acesso a peças para aviões civis e outros bens e produtos alvo de embargo.

Yukiya Amano disse ainda, nas suas declarações de hoje, estar “satisfeito com o facto de o Plano de Acção Conjunta ter tido início, isto é um importante desenvolvimento”, acrescentando que a IAEA “está pronta para manter a monitorização e verificação das medidas definidas pelo acordo”.

União Europeia e EUA com obrigações diferentes

Estranho, ou não, o facto de no Acordo de Genebra a União Europeia estar obrigada, bem como as Nações Unidas, a levantar as actuais sanções impostas ao Irão, sem mais, enquanto que no que se refere aos Estados Unidos da América o texto do documento apenas refere que “os Estados Unidos da América actuarão de acordo com as competências do Presidente e do Congresso, no sentido de parar a adopção de novas sanções contra o Irão no âmbito da questão relacionada com o nuclear”. A diferença é notória entre as obrigações dos dois blocos político-económicos.

Facebook Comments

Comentários no Facebook