Envelhecer com dignidade

Envelhecer com dignidade

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Beja Santos
Beja Santos
Assessor do Instituto de Defesa do Consumidor
Consultor do POSTAL

 O livro “Envelhecer com Dignidade”, por Sérgio Pardal, Edições Vieira da Silva, 2014, é uma obra didáctica de iniciação sobre aspectos fulcrais do envelhecimento, que tem como público-alvo um universo que se dedica às questões seniores desde assistentes sociais, psicólogos e profissionais de saúde. Temos aqui uma grande angular sobre os aspectos sociais do envelhecimento, o estado actual do que se entende por envelhecimento activo, a equação envelhecimento e doença mental e o apoio psicológico e emocional ao idoso.

É despiciendo de termos sobre as consequências ao nível da saúde, economia e política do envelhecimento. O autor recorda que o envelhecimento é um processo individual e que há três tipos de envelhecimento: o biológico (degradação gradual das competências de ajustamento à sua anatomia física), psicológico (relacionado com as capacidades psicológicas que os indivíduos podem dispor para se adaptarem às mudança do meio ambiente físico e social) e social (modificação de funções, preceitos sociais e costumes, em conformidade com a sociedade e cultura na qual o indivíduo está inserido).

Questão grada é autonomia e independência na velhice. Este conceito tem a ver com a aptidão do idoso para executar as actividades diárias indispensáveis à sua sobrevivência sem recurso de terceiros. Entende-se por envelhecimento bem-sucedido a existência de uma baixa ocorrência de enfermidades ou incapacidades associadas à doença, pelo que é imperativo dar mais oportunidades ao idoso de participar activamente na vida comunitária. O autor releva o papel dos avós nas famílias contemporâneas: o de contribuir para a estabilidade das famílias, sendo essenciais na divulgação da herança familiar, transmitida às gerações mais jovens o seu quadro de valores que serviram de base à socialização das gerações anteriores.

O conteúdo essencial do envelhecimento activo prende-se com participação, o propósito de se conseguir ter uma velhice saudável, com promoção e prevenção, actividade física, actividades de animação sociocultural e entrega solidária, como é o caso do voluntariado sénior. A este propósito, o autor recorda que o voluntariado sénior permite o convívio intergeracional e a transmissão de valores às gerações mais novas.

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No tocante à equação envelhecimento e doença mental, recordam-se os múltiplos determinantes ambientais que poderão estar na origem da doença mental crónica. Além disso, a existência destas enfermidades encontra-se geralmente associada a factores psicossociais e biológicos, a fracas condições materiais. O autor recorda que “Uma autoestima elevada e um maior apoio à população idosa poderão contribuir para uma diminuição da incidência destas patologias e para um envelhecimento mais autónomo e feliz, constituindo um estímulo à manutenção de hábitos saudáveis, da capacidade funcional e do seu próprio autocuidado”. Aborda-se igualmente o défice cognitivo ligeiro, a demência, a doença de Alzheimer e a doença de Parkinson. A propósito desta última, e como os profissionais sabem, “A origem desta síndrome ainda não é bem conhecida, mas admite-se a existência de factores genéticos, ambientais, como a utilização de pesticidas agrícolas, e do próprio processo de envelhecimento, podendo também ser provocada por algumas doenças infecciosas do sistema nervoso central (…) Actualmente, não existe nenhum tratamento capaz de impedir a progressão da doença, no entanto pode ser estabilizada com tratamento médico adequado, cirurgia, ginástica, caminhadas, nas fases iniciais da doença, e terapia ocupacional”. Merecem também referência a depressão, a dor crónica e o luto patológico. O autor observa que, “Na velhice, a dor crónica é uma das principais causas da depressão, nervosismo, distúrbios do sono, problemas alimentares, perda de autonomia, dependências e incapacidade física, modificações no sistema imunitário (provocando uma maior susceptibilidade a doenças e infecções), dificuldade em estabelecer relações sociais e estar integrado na vida familiar”.

Temos aqui pois um pequeno manual que aborda com integralidade a problemática do idoso, obra muito acessível para quem pretende estudar a intervenção na área do envelhecimento, a todos os níveis.

 

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