“Algarve tem de fazer melhor o que já faz bem”

“Algarve tem de fazer melhor o que já faz bem”

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Debate sobre o mar teve sala cheia em Vila Real de Santo António
Debate sobre o mar teve sala cheia em Vila Real de Santo António

“O Algarve tem de fazer melhor o que já faz bem”. A frase não é nova, mas abarca em larga medida aquela que é uma das linhas de força do pensamento do actual presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, David Santos.

O responsável algarvio têm repetido a ideia por todo o Algarve e fê-lo ontem à tarde, novamente, na Biblioteca Municipal de Vila Real de Santo António onde a CCDR levou a cabo mais um dos debates inseridos no ciclo “Made in Algarve”. Este ciclo de debates que tem percorrido a região e já abordou temas como o turismo e a terra, respectivamente em Albufeira e Tavira, foi ontem dedicado ao mar e teve como oradores David Santos, Luís Gomes, presidente da Câmara local, Ribau Esteves, presidente da Associação Oceano XXI e da Câmara de Aveiro e José Ribeiros, director comercial da Companhia de Pescarias do Algarve.

Numa sala absolutamente repleta, as apresentações iniciais abordaram as questões que enquadram e o panorama geral nacional e regional do sector do mar e das várias fileiras que o constituem. Além das temáticas recorrentes nesta área, como a da consolidação de um verdadeiro cluster do mar e da criação de condições propícias a que o mesmo se possa vir a afirmar nacionalmente como um hiper-cluster, o debate abordou ainda temáticas viradas para o futuro de longo prazo com as questões associadas à exploração e investigação no domínio do mar profundo.

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O retrato negro do Algarve

Apesar de reconhecer que, “no Algarve temos gente, projectos de excelência, boas práticas, produtos de identidade única e saber fazer acumulado, que nos deve orgulhar e dar força para enfrentar os desafios do futuro”, David Santos, identifica na região vários problemas, nomeadamente o facto de sermos “uma das regiões com a maior taxa de desemprego do país (17,2%), particularmente ao nível dos jovens, onde registamos 19 trimestres consecutivos com taxas superiores a 25%, atingindo 58,2% no 1ºT de 2013”.

A isto se soma uma “tendência de convergência negativa com as médias nacionais do PIB per capita;” e uma “região fortemente especializada no cluster do turismo e do lazer, sem capacidade de absorver noutros sectores os excedentes de desemprego, criados por variações sazonais ou conjunturais dessa actividade”, recorda o titular da CCDR.

Mas a imagem negra do Algarve não se fica por aqui, somos uma região, continua David Santos, que “perdeu competitividade e que perdeu nesse processo as suas actividades tradicionais, particularmente ao nível dos produtos ligadas à Terra e ao Mar”.

Na resposta a estes problemas falharam, reconhece o responsável algarvio, a Administração Central e o Governo, como a gestão regional, apesar do muito que se fez com os fundos comunitários diferidos para a região ao longo dos sucessivos quadros de fundos da União Europeia.

Intervenções pertinentes

Perante uma audiência que depois de ouvir atentamente as intervenções dos oradores aderiu a um debate vívido e pertinente, é claro que David Santos quer encontrar respostas eficientes e reais para problemas também eles reais e candentes, acertando os azimutes da intervenção na distribuição de fundos com aqueles que forem os ditames de uma “estratégia de especialização inteligente”.

Por termo ao actual retrato do PROMAR – Programa Operacional das Pescas, aquele que na região menor execução tem no seio de todos os programas de enquadramento dos fundos europeus, maximizar o aproveitamento das verbas que resultarão do quadro de apoios comunitários 2014-2020, e aproximar a decisão ao nível dos apoios a atribuir ao sector do mar daquelas que são as verdadeira necessidades da região, são desafios que David Santos assume como imediatos.

É exactamente por isso que a CCDR está apostada em mostrar exemplos de sucesso de aplicação dos fundos europeus na região, na tentativa de provar que podemos e somos capazes de fazer melhor o que já fazemos bem e que podemos fazer mais daquilo que já fazemos muito e com qualidade.

A instituição está na rota de encontro com os actores de cada sector na região expondo ideias guia e ouvindo quem importa onde importa, naquele que é um processo determinante para o futuro regional, o da definição da estratégia de aplicação dos dinheiros comunitários que aí vêm.

Com a certeza de que “a região só poderá contar com apoios de fundos europeus em áreas que se inscrevam na criação de verdadeira riqueza e postos de trabalho sustentáveis”, sublinha o responsável da CCDR.

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