Orquestra leva música à cadeia de Faro

Orquestra leva música à cadeia de Faro

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Estabelecimento Prisional Regional de Faro
A cadeia de Faro acolhe o concerto da Orquestra Clássica do Sul a 22 de Maio

Depois de, em finais de 2013, a Orquestra clássica do Sul se ter apresentado nos Hospitais de Faro, Garcia de Horta em Almada, Beja e Huelva, num formato que levou a música clássica a espaços onde a mesma não entra com regularidade, chega agora a vez do Estabelecimento Prisional Regional de Faro.

A Orquestra Clássica do Sul (OCS) tem feito, em particular desde de que o maestro Cesário Costa assumiu funções como director artístico, um redesenho da respectiva programação, mantendo o que de muito e bom já fazia em termos da promoção e divulgação da música erudita e somando-lhe novas esferas de actuação e novos palcos.

A aposta numa orquestra cada vez mais próxima da comunidade que a acolhe – que neste momento engloba as regiões do Algarve, sede da OCS, Alentejo, Península de Setúbal e Andaluzia – ganhou expressão real e objectiva com a inauguração do ciclo de concertos “música em comunidade” e a iniciativa deu já à formação orquestral uma nova face.

Depois das enfermarias, a música em comunidade invade agora um palco ainda mais insuspeito, o das cadeias, numa experiência que decerto se mostrará única, seja para aqueles que pelas mais variadas razões estão afastados da convivência em sociedade, seja para os próprios músicos.

John Avery na batuta

A direcção artística do concerto, que decorrerá a 22 de Maio na cadeia de Faro, está nas mãos do maestro Cesário Costa, mas na batuta estará o maestro inglês John Avery, habituado também ele a dirigir a formação orquestral sedeada no Algarve.

Em declarações ao Postal, Cesário Costa, realça “a importância deste ciclo de concertos ‘Música em comunidade”, como uma forma de apresentar a orquestra em espaços onde normalmente a música clássica não marca presença”.

Em termos de reportório, que ainda está a ser desenhado, o director artístico da Orquestra Clássica do Sul tem em vista “um programa que seja adequado ao público e às suas especificidades e que possa ser atraente para quem ouve”, um tratamento que em nada difere daquele que é sempre dispensado pela orquestra no processo de idealização de cada concerto mas que, neste caso, tem como acréscimo a responsabilidade de responder a um público com especificidades particulares.

Antes de saber se a experiência de tocar em estabelecimentos prisionais será para repetir, Cesário Costa entende que “depois desta primeira iniciativa a avaliação dos seus resultados é que determinará novas iniciativas nestes moldes”. Para o maestro, “o importante é que a ideia subjacente aos concertos ‘Música em comunidade’ se mantenha e desenvolva como um dos objectivos de trabalho da orquestra”.

A responsabilidade social e os novos públicos

Por detrás de todo o trabalho da equipa que forma a Orquestra Clássica do Sul para estes concertos de música em comunidade está a ideia de que a orquestra tem um dever de responsabilidade social para com a comunidade e o território que a acolhe, quer na perspectiva social, quer na de formação de novos públicos, onde também se inserem os concertos promenade e as deslocações dos músicos a instituições escolares.

Na esteira daquelas que são nos dias de hoje as regras basilares das boas práticas, a Orquestra Clássica do Sul cumpre assim a sua função entendida no seu sentido mais lato e dá cumprimento aquele que é um dos seus desideratos, integrar a política cultural local e regional no Algarve e simultaneamente dar o seu contributo para a política cultural nacional no que respeita à música erudita.

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