ACASO, a mão amiga de Olhão

ACASO, a mão amiga de Olhão

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António Pina é o presidente da Direcção da ACASO há três anos
António Pina é o presidente da Direcção da ACASO há três anos

É o maior empregador privado de Olhão – em termos absolutos o segundo maior do concelho, apenas superado pela autarquia local – e ajuda todos os dias mais de 800 utentes a enfrentarem o dia-a-dia com maior dignidade e qualidade de vida.

A ACASO (Associação Cultural e de Apoio Social de Olhão) emprega 220 pessoas e com um orçamento que ascende a 3,5 milhões de euros anuais vive, ainda assim, no fio da navalha para ser a mão amiga dos muitos olhanenses e algarvios a quem presta apoio.

Desconhecida de muitos no Algarve e mesmo em Olhão, a ACASO, com 82 anos de serviço à população, é um dos elos da última rede de apoio social portuguesa. Uma rede que ampara as franjas mais desfavorecidas da sociedade e que dá sinais crescentes de fragilidade, perante um país em profunda crise económica, e mais do que isso social, que remete para a pobreza e para o limiar da mesma milhares de portugueses.

Uma obra, mil respostas sociais

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Difícil é descrever o tanto que a cada dia que passa, neste tempo acelerado em que vivemos, a ACASO faz pelos olhanenses e pelos algarvios e, mesmo, por pessoas de fora da região.

A resposta social inclui um sem-fim de valências e públicos-alvo, que de tão diferenciados quase parecem inconciliáveis, e passa por um desdobramento dos profissionais da ACASO que custa a crer e que só é possível através de uma dedicação à qual chamar devoção é simplesmente insuficiente.

A ACASO responde a necessidades sociais desde os três meses de idade até ao fim da vida, num quadro humano que percorre todas as faixas etárias e é transversal à sociedade. Ali se apoiam as famílias obtendo respostas às necessidades da infância que vão do berçário e infantário às carências alimentares. Ali se acolhem os idosos, no lar de terceira-idade ou no centro de dia, e se lhes garante uma qualidade de vida melhor através de programas ocupacionais e inter-geracionais, ao mesmo tempo que em muitos casos, se atende à fome e à insuficiência das pensões e reformas cada vez mais reduzidas.

É também na ACASO que muitos encontram apoio alimentar, seja em refeições, seja em géneros alimentícios. Do lavar a roupa ao tomar banho, do cabeleireiro à compra de roupa, tudo se pode encontrar na resposta da loja social e dos serviços da ACASO.

Mas há mais, muito mais. Há respostas à deficiência, em regime de internamento e de centro de dia, há ajuda à reintegração social de toxicodependentes, bem como, apoio domiciliário, e também ali se prestam cuidados de saúde. Há afinal resposta a quase tudo, numa instituição que faz do pouco muito para chegar a tantos quanto possível. 

Orçamento cada vez mais curto

Financiada maioritariamente pelos apoios da Segurança Social e da Saúde, ao abrigo de protocolos, a ACASO conta ainda com a ajuda de empresas privadas, com a contribuição dos sócios e com os valores pagos pelas famílias dos utentes.

São 3,5 milhões de euros de orçamento anual, o que parecendo muito à primeira vista é manifestamente insuficiente para tantas demandas.

“Quando aqui chegámos há três anos tínhamos 249 mil euros de défice”, refere o presidente da Direcção, António Pina, “fechámos 2013, com um défice de 130 mil euros, mas a verdade é que é difícil encolher o défice quando não se pode ter qualquer receita acima do custo médio por utente calculado para cada valência”, remata.

Por se tratar de uma Instituição Privada de Solidariedade Social (IPSS) e de uma associação sem fins lucrativos, esclarece António Pina, “mesmo fora dos casos abrangidos pelos protocolos de apoio da Segurança Social e da Saúde, não podemos cobrar nem mais um cêntimo ao utente do que o custo médio de referência por pessoa para cada valência, ainda que a pessoa possa pagar mais”.

“Por outro lado, as bonificações nos bens de consumo básicos – água, luz e gás – têm uma expressão que não é significativa financeiramente e em termos fiscais a discriminação positiva não existe de forma a criar folga para acolher o aumento dos pedidos de apoio”, diz o dirigente.

António Pina realça que “o que importa saber é se as políticas do Governo, deste e de outros quaisquer que estejam no poder, têm presente que esta é a última resposta do país a quem precisa e que depois dela não há qualquer outra para as populações”.

Segundo António Pina, “também na área dos protocolos com a Segurança Social e com a Saúde é necessário rever o valor dos apoios às IPSS”. “Estamos a responder à situação do país e das comunidades no limite, cortámos todas as gorduras e optimizamos todos os serviços e não saímos deste limiar em que nos encontramos, de sobre esforço das instituições”, conclui, rematando “ou isto é olhado a sério ou vamos caindo de dia para dia. Antes que seja tarde de mais”.

Não baixar os braços

É neste cenário limite que se trabalha na ACASO, mas de sorriso nos lábios e com uma palavra amiga para os muitos que fazem da instituição o seu lar.

A esperança na ACASO não tem autorização para esmorecer. Em cada gesto, em cada rosto, em cada movimento de um corrupio diário, os mais de 200 profissionais deste gigante das instituições sociais da região, apostam tudo no oferecer mais e melhor a quem pouco ou nada tem.

As lutas travam-se em todas as frentes, nomeadamente nas situações limite, e a palavra de ordem é acreditar sempre, porque ali não se desiste, ainda que o destino seja um marcar passo. Afinal para alguns de nós marcar passo significa tudo, num horizonte onde a ameaça está em regredir.

É desta vontade férrea que se sente na ACASO que se faz a capacidade de ajudar o próximo e de servir o outro e através dela o todo, garantindo a cada esforço que não se deixam para trás aqueles de nós que mais precisam.

É que ninguém se pode excluir de ser um dia um destes rostos que contam com a ajuda de todos para continuarem a ter um presente e um futuro.

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