Desassoreamento do Guadiana a meia haste

Desassoreamento do Guadiana a meia haste

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Obras no Guadiana de responsabilidade portuguesa não têm data para começar
Obras no Guadiana de responsabilidade portuguesa não têm data para começar

Espanha avança com as dragagens da foz do Guadiana depois do Verão, entre a ponte internacional sobre o rio e a entrada da barra, num investimento estimado de cerca de um milhão de euros. A intervenção a cargo das autoridades espanholas vai devolver à foz do Guadiana capacidade para acolher navios de calado até 3,5 metros, prevendo-se a extracção de mais de 50 mil metros cúbicos de materiais inertes do fundo do rio.

A notícia foi avançada pelo presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, David Santos, há cerca de três semanas em Vila Real de Santo António e confirmada, mais tarde, com a assinatura entre a Direcção-Geral dos Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos do Ministério da Agricultura e do Mar e a Agência Pública dos Portos da Andaluzia de um memorando de entendimento relativamente a esta matéria.

Notícias positivas, portanto, para quem usa a foz do Guadiana, mas que nada revelam sobre o resto das obras previstas para o rio e que são da responsabilidade do Governo português. 

Um processo longo de mais

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Desde 2009, que Portugal e Espanha entraram em entendimento para desenvolverem um conjunto de intervenções no Rio Guadiana cujo objectivo inicial era o de permitir a navegabilidade de navios até 100 metros de comprimento e calado até 2,5 metros (zero hidrográfico) até ao Pomarão, já no Alentejo, passando por Alcoutim.

Para tanto os dois países candidataram-se duas vezes a fundos oriundos do Programa de Cooperação Transfornteiriça Portugal Espanha (POCTEP) e assumiram que as intervenções seriam realizadas a jusante da ponte internacional do Guadiana pelas autoridades espanholas e a montante da ponte pelas autoridades portuguesas.

Entretanto relativamente àquilo que era a obra a cargo do Governo Português – com particular destaque para a dragagem do canal até Alcoutim e Pomarão, a criação de bacias de rotação e acostagem em ambas as localidades para os navios e instalação de cais de embarque – também em ambos os locais -, o estudo de impacto ambiental da Agência Portuguesa de Ambiente veio a determinar a impossibilidade de concretizar o projecto nos moldes previstos até ao Pomarão.

Impossibilitadas de criar um canal com capacidade e mesmo a bacia de rotação e atracagem no Pomarão a ideia de levar grandes navios até ali foi abandonada pelas autoridades portuguesas e ficou-se apenas por leva-los até Alcoutim, ainda assim com contingências ambientais na intervenção na zona desta última localidade.

Assumido que assim seria, as obras avançam depois do Verão no que respeita a Espanha e à foz do rio, mas no que toca a Portugal e a todo o trajecto a norte da ponte internacional, nada de novo. 

Obras portuguesas sem data para se iniciarem

O POSTAL contactou o Gabinete do Secretário de Estado do Mar que não avança qualquer data para o início dos trabalhos que são da responsabilidade portuguesa, reconhecendo “as fortes limitações financeiras a que o Governo Português está sujeito”.

Assim os 600 mil euros de investimento para permitir a navegabilidade do Guadiana até Alcoutim por navios de grande porte estão em banho-maria.

Até lá Alcoutim fica em suspenso no que toca a poder ser um destino atractivo para investimentos na área das actividades marítimo-turísticas que tenham por base o uso de navios de maior porte, um potencial que se desperdiça face a uma aparente incapacidade de investimento do Governo nacional.

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