Vaticano canoniza João Paulo II

Vaticano canoniza João Paulo II

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João Paulo II será canonizado pelo papa Francisco
João Paulo II será canonizado pelo papa Francisco

O papa João Paulo II, vai ser canonizado no próximo domingo numa cerimónia que terá lugar no Vaticano, em Roma, Itália, e a que presidirá o actual papa Francisco.

Karol Jozef Wojtyla ficou conhecido pelas muitas viagens que realizou pelo mundo ao encontro dos fiéis e pela sua devoção mariana, mantendo uma ligação especial com Fátima, que visitou três vezes.

O penúltimo papa nasceu em Wadowice (Polónia), a 18 de Maio de 1920, e foi eleito para o cargo a 16 de Outubro de 1978, tendo sucedido a João Paulo I. Morreu no Vaticano, a 02 de Abril de 2005, tendo-se-lhe seguido Bento XVI, actual papa emérito (título concedido a qualquer papa que decida abdicar).

João Paulo II foi o ducentésimo sexagésimo quarto sumo pontífice duma lista que até hoje somente incluiu um português, João XXI, mais conhecido como Pedro Hispano, cujo pontificado durou entre 20 de Setembro de 1276 e a data da sua morte a 20 de Maio de 1277.

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A vida de João Paulo II

Na juventude Karol Wojtyla viveu a ocupação nazi da Polónia, que o levou a trabalhar numa mina (1940-1944) e, posteriormente, numa fábrica, para poder sustentar-se e evitar a deportação para a Alemanha.

Frequentou o seminário maior clandestino de Cracóvia até à sua ordenação como sacerdote em 1946. Seguiu depois para Roma onde se doutorou em teologia.

Wojtyla foi ordenado bispo a 28 de Setembro de 1958 e em 1964, arcebispo de Cracóvia por Paulo VI, que o faria cardeal em Junho de 1967.

Participou no Concelho Vaticano II (1962-65) e a biografia oficial disponível no site www.2papisanti.org destaca a “sua importante contribuição” para a elaboração da constituição pastoral Gaudim et Spes, sobre a igreja no mundo actual.

Um pontificado de viajante

Foi eleito papa, com o nome de João Paulo II, a 16 de Outubro de 1978. Durante o seu pontificado fez 146 visitas pastorais em Itália e visitou 317 das atuais 332 paróquias romanas. Realizou 104 viagens apostólicas pelo mundo, tendo visitado o Santuário de Fátima, em Portugal, por três vezes.

Entre os principais documentos do pontificado (1978-2005) contam-se 14 encíclicas, 15 exortações apostólicas, 11 constituições apostólicas e 45 cartas apostólicas.

João Paulo II, que ficou conhecido como o papa “peregrino”, celebrou 147 beatificações, tendo proclamado 1.338 beatos – e 51 canonizações, que fizeram 482 santos.

Aproximou-se das novas gerações com as celebrações da Jornada Mundial da Juventude.

Atentados e a ligação a Fátima

A biografia oficial de João Paulo II, preparada pelo Vaticano para a sua beatificação, destacava o “grave atentado” sofrido pelo papa polaco a 13 de Maio de 1981, na Praça de São Pedro, sublinhando que Wojtyla “perdoou ao autor” do ataque.

Na sequência do atentado, João Paulo II anunciou a sua primeira visita ao Santuário de Fátima, em Maio de 1982, para agradecer “a protecção concedida”.

A visita de quatro dias, em que o papa percorreu o país, acabaria por ficar marcada por um incidente na noite da procissão das velas, em Fátima.

O padre integrista espanhol, Juan Fernandez Maria Khron, de 32 anos, vindo de Paris, tinha o objectivo claro de matar João Paulo II.

Vestido como sacerdote, Khron aproximou-se da comitiva papal empunhado uma baioneta, mas acabaria por ser detido, não sem antes ter gritado “Fim ao comunismo” e “Abaixo o Papa e o Vaticano II”.

Depois disso, João Paulo II visitaria Fátima por mais duas vezes: em Maio de 1991 e em Maio de 2000, para a beatificação dos pastorinhos de Fátima Francisco e Jacinta Marto.

Na mesma altura, tornou pública a terceira parte do Segredo de Fátima e ofereceu à Virgem o anel com o lema “Totus Tuus” (Todo Teu) que lhe tinha sido oferecido no início do pontificado. 

Da beatificação à canonização

Morreu em Roma a 02 de Abril de 2005 e foi beatificado a 01 de Maio de 2011 pelo seu sucessor, Bento XVI, que dispensou o período canónico de cinco anos após a morte para iniciar processo.

Na primeira entrevista que deu após ter renunciado ao pontificado, o papa emérito, Bento XVI, recordou João Paulo II como “um santo”.

A entrevista, concedida em Fevereiro de 2013, vai ser publicada em livro por ocasião de canonização sob o título “Ao lado de João Paulo II”.

Bento XVI recorda ter dito ao Papa polaco que tinha de “descansar”, ao que este lhe respondeu que o podia fazer “no céu”.

“Tornou-se para mim cada vez mais claro que João Paulo II era um santo”, disse Bento XVI, que, enquanto cardeal, foi um dos mais directos colaboradores de João Paulo II.

Este domingo a Santa Sé concede a João Paulo II a mais elevada distinção da igreja católica elevando ao grau de santo através da canonização.

(com Agência Lusa)

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