Sociedade civil reage ao gigante IKEA

Sociedade civil reage ao gigante IKEA

311
PARTILHE
O IKEA será a maior área comercial da região
O IKEA será a maior área comercial da região

A sociedade civil através das mais variadas organizações está a reagir ao projecto IKEA previsto para a zona dos Caliços – Esteval em Loulé, junto ao nó do Aeroporto da Via do Infante e paredes meias com o Parque das Cidades.

A Quercus e a Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL), por exemplo, anunciaram a entrega de pareceres para a consulta pública à Avaliação de Impacto Ambiental que está a decorrer na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região do Algarve (CCDR), entidade competente para dar aval ao projecto nesta matéria (VER).

As associações ambiental e empresarial fizeram conhecer, na passada segunda-feira, a sua posição negativa sobre o projecto num comunicado conjunto, pouco habitual entre associações de responsabilidades tão diferentes. No entanto Victor Guerreiro, presidente da ACRAL, sublinha que “não há nenhuma razão para que associações empresariais e de cariz ambientalista não possam estar juntas em matérias de tão grande relevo para a região, aliás, faz todo o sentido que estejam face a uma situação que julgamos ser um atentado para o Algarve”.

Ao Postal a CCDR não avançou quantos foram os contributos entregues pela sociedade civil durante a consulta pública.

- Pub -

“A informação sobre o processo de consulta pública que tem origem nas Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais territorialmente competentes e ainda na própria CCDR, está a ser recolhida e o processo de recolha só deverá estar terminado a 3 de Junho, pelo que não podemos a esta altura saber quantas participações houve”, diz a CCDR, sobre o processo que terminou ontem. 

IKEA um gigante comercial ‘5 em 1’

O projecto IKEA é um gigante que, de acordo com o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) apresentado pelos promotores, tem, só em área total dos quatro lotes propostos, 242.353 metros quadrados, mais de 24 hectares.

O mega projecto propõe um ‘5 em 1’ comercial, com uma loja IKEA de 21.300 metros quadrados em dois pisos; um centro comercial a céu aberto com 25.057 metros quadrados e 125 lojas em um único piso; um centro comercial fechado com 65 mil metros quadrados e 95 lojas em dois pisos; uma loja comercial isolada com 11.453 metros quadrados e uma outra do mesmo género com 8.682 metros quadrados.

Mas o colosso soma ainda uma área total de arruamentos e estacionamento à superfície com mais de 49 mil metros quadrados, com capacidade para colher no mínimo 4.010 lugares de aparcamento, mais de 81 mil metros quadrados de área verde e uma área destinada a equipamento de utilidade pública a ser entregue à Câmara de Loulé com mais de 34 mil metros quadrados.

A dimensão comparada

De acordo com os dados do EIA e as informações recolhidas pelo Postal, nenhum outro grande espaço comercial da região se aproxima do gigante IKEA.

O Algarve Shopping em conjunto com o Retail Park de Albufeira, situados na Guia somam em área bruta locável (ABL), somente o espaço destinado a lojas, 53.685 metros quadrados enquanto os dois centros comerciais do complexo IKEA sozinhos têm uma ABL de 68.487 metros quadrados, não considerado o espaço da loja IKEA e das duas lojas comerciais isoladas também previstos para o projecto de Loulé.

“Trata-se de uma desproporção face à realidade da região e a ser construída destruirá muito mais do que o ambiente naquela zona e nas zonas limítrofes, mas também o comércio local de Loulé e Faro e da região em geral e o próprio Fórum Algarve que dista do projecto escassos quilómetros”, refere Victor Guerreiro.

Certo é que, a ser aprovado, o IKEA será a grande Meca do comércio regional, mas de pouco valerá ao comércio local algarvio rezar face à concorrência potencial do megaprojecto ao qual nem mesmo os grandes centros comerciais farão facilmente frente.

 

Facebook Comments

Comentários no Facebook