ARCM inaugura nova sede no fim do mês

ARCM inaugura nova sede no fim do mês

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Armindo Silva, uma dos rostos do trabalho da associação
Armindo Silva, uma dos rostos do trabalho da associação

A Associação Recreativa e Cultural de Músicos (ARCM) inaugura no próximo dia 26 a nova sede na antiga Fábrica da Cerveja, situada na cidade velha de Faro, um momento imperdível e a que todos estão convidados para dar a mão a quem há anos dá tudo pela música no concelho e na região.

À beira de um quarto de século a ARCM mantém a mesma vontade férrea de sempre. Aquela que os leva há já 24 anos a lutar diariamente para dar aos músicos farenses e da região um espaço para que possam criar, ensaiar, gravar, apresentar e dar a conhecer a sua arte.

São 24 anos a dar espaço à música, a fomentar uma das artes mais marcantes do espectro artístico e a criar condições para que artistas de todas as idades, tendências musicais e experiência possam dar asas à inspiração.

Berço de bandas tão diferentes entre si como os Confrontate, os Bunny & The Gang ou os Satarize, os Harum, os Fora da Bóia ou os Fundos Perdidos, fizeram e fazem da ARCM a sua casa mãe.

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Ali desenvolvem o seu trabalho Sonia Litle B Cabrita, Tércio Nanook ou os Mofo, como o fazem e fizeram os Dirty, os Banda Noia ou mesmo Zé Eduardo, um dos nomes incontornáveis do Jazz nacional.

Armindo Silva, que o Cultura. Sul entrevistou, deu vida à ARCM a par de Carlos Baião e Celso Pedro. Podia esperar-se que Armindo Silva fosse músico, tal a dedicação de tantos anos à arte dos fazedores de melodias, mas não. Apenas e só melómano e não é de somenos, porque o gosto pela música fê-lo em certa medida pai de uma larguíssima fatia da música que se produz por terras algarvias e muito em particular em Faro.

Uma casa para a música

A grande batalha da ARCM sempre foi, e é, a de arranjar uma sede definitiva onde possa desenvolver o seu trabalho. Um trabalho cujo merecimento está para lá de qualquer questão ou dúvida e cujos frutos estão espalhados por milhares de horas de música produzidos por largas dezenas de bandas que em 24 anos fizeram da associação a sua pedra angular.

Mas o objectivo maior da ARCM tem sempre sido marcado pelos percalços.

Do Alto Rodes onde nasceu num armazém, passando pelo Bom João, ambos na cidade de Faro, e por Bordeira, a ARCM só há 11 anos atrás conseguiria o seu primeiro espaço mais definitivo, ou pelo menos assim acreditaram os dirigentes da associação.

Na moagem junto à estação de comboios de Faro encontraram pouso por 11 anos e ali fizeram, como sempre, de raiz instalações capazes de acolher os músicos e as suas actividades.

Foram 11 anos de trabalho ininterrupto, de criação, de concertos, de muita música, mas também de muito teatro e dança e de eventos das mais variadas correntes artísticas. Ali teve espaço a arte como a solidariedade, o convívio como a divulgação cultural e ali se acolheram largos milhares de seguidores do trabalho de uma das mais activas forças do associativismo farense.

A ARCM trabalha há 24 anos em prol da música no concelho de Faro e na região
A ARCM trabalha há 24 anos em prol da música no concelho de Faro e na região

Uma nova sede

Após um processo judicial de despejo que fez correr mares de tinta nos jornais e que foi amplamente acompanhado pela imprensa, que reconheceu à ARCM o mérito de um trabalho que não podia, uma vez mais ficar desalojado, eis que a associação se faz de novo à aventura de reconstruir um lar.

Desta feita, já com um terreno garantido durante o mandato de Macário Correia na autarquia – mas longe de poder ali construir uma sede nova dadas as contingências financeiras – à ARCM foi entregue parte das instalações da antiga Fábrica da Cerveja na cidade velha de Faro.

Recomeçar do zero novamente é a palavra de ordem e Armindo Silva não se faz rogado. “Sempre conseguimos crescer com as dificuldades e em cada uma das sedes que tivemos de construir e esta não será diferente”, diz, acrescentando que “desta vez será provavelmente a última antes da sede definitiva para a qual estamos a gerar e a guardar todos os fundos que podemos”.

A velha e degradada Fábrica da Cerveja e os seus vãos imensos passam aos poucos de decrépitos para uma nova face, pintada, arranjada e reinventada à medida das necessidades dos muitos artistas que ali verão crescer a sua arte e darão corpo à vontade da mãe de todas as excelências, a inspiração.

Já a funcionar a meio gás – a inauguração decorrerá dia 26 de Julho – a nova sede da ARCM terá dez salas de ensaio, duas salas de concertos – Caracol e Morcego – além de uma sala multiusos, um estúdio de gravação, áreas de arrumos e um escritório.

As instalações acolhem ainda espaços, no mínimo sui generis, para mais duas bandas, respectivamente na antiga câmara frigorifica que recebe o som Metal no interior de grossas paredes capazes de fazer travar o mais ruidoso arranque sonoro deste género musical e num antigo paiol de munições da época em que o espaço acolheu instalações do exército, que foi o espaço escolhido por uma banda que também ali dá os primeiros passos.

Fardos de palha são um dos segredos da insonorização a baixo custo
Fardos de palha são um dos segredos da insonorização a baixo custo

É do trabalho, do génio e do esforço de todos os utilizadores das instalações da ARCM que nasce o novo espaço da associação, recuperado, usando muito material reciclado, imensa dedicação de todos e mesmo fardos de palha, capazes de insonorizar a baixo custo os desmandos do génio criativo dos artistas.

Também na construção os artistas se dão e só da arte poderia sair a vontade férrea de continuar a fazer renascer, verdadeiramente a recriar, a Associação Recreativa e Cultural de Músicos. Tudo vale a pena quando a alma não é pequena e são os sócios que corporizam a imensa força da associação.

Qual fénix renascida das cinzas, a ARCM está de volta já no final deste mês ao seu público, aos seus músicos e à sua arte.

Uma vez mais provando que do pouco se faz muito e se agiganta a alma de quem ama incondicionalmente a música, dando a Faro e a todos nós, razões de sobra para um orgulho sereno naquilo que por cá se vai fazendo.

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