Escândalo na saúde

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Situação escandalosa na saúde leva autarcas a terem gabinete à porta do serviço de urgência de Loulé
Situação escandalosa na saúde leva autarcas a terem gabinete à porta do serviço de urgência de Loulé

O serviço de Urgência Básica (SUB) de Loulé, um dos quatro do género na região a par de Albufeira, Lagos e Vila Real de Santo António, voltou a não abrir por falta de médico ontem e hoje, durante as primeiras horas do dia.

Só a partir das 9.15 horas de ambos os dias o serviço abriu as portas e apenas com a presença de um clínico, uma situação que levou a que na passada esta manhã os presidentes das Câmaras de Loulé e São Brás de Alportel transferissem para a entrada do SUB louletano os seus gabinetes, situação que ainda se mantém.

Uma secretária colocada lateralmente à porta de entrada foi o bastante para que os autarcas dessem nota do seu protesto face à repetida incapacidade daquele serviço dar resposta aos utentes de ambos os concelhos.

Recorde-se que à falta de resposta do SUB de Loulé, resta aos louletanos e são-brasenses dirigirem-se ao Serviço de Urgência do Hospital de Faro, já de si sempre congestionado. Quebra-se assim a resposta intermédia nos cuidados de saúde que foi criada na reorganização dos serviços de saúde da região, nomeadamente, após o encerramento dos serviços de atendimento permanente, os antigos SAPs. 

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Vítor Guerreiro diz basta!

Ao POSTAL Vítor Guerreiro, presidente da Câmara de São Brás de Alportel, diz que “já basta desta vergonha!”.

Ainda no SUB de Loulé [na tarde de quarta-feira] o autarca afirmou ao POSTAL que “os autarcas estão fartos de promessas”. “De boas intenções sabemos nós o que está cheio…”, refere o presidente da autarquia são-brasense, que sublinha que “esta situação se arrasta há meses”.

“Ainda agora quando fui almoçar uma bifana com o presidente da Câmara de Loulé [também ele a atender os munícipes e a despachar junto à porta do SUB] ouvi na televisão o presidente da ARS Algarve e do Centro Hospitalar do Algarve a descreverem uma história idílica onde só há problemas de pormenor”, refere Vítor Guerreiro.

“Temos participado e tentado encontrar as melhores soluções em silêncio e através dos canais normais e políticos, mas já chega de desrespeito pelas populações. No meu caso fui eleito para defender a população de São Brás, muito prejudicada com esta situação naquele que é um seu direito fundamental, e não me calo nem calarei perante esta situação digna do terceiro mundo”, protesta o autarca.

“Temos tido o cuidado de, em respeito pelo turismo que importa defender, tentar solucionar da melhor forma possível a situação, mas basta de promessas e queremos ver acção no terreno e as respostas certas para os problemas reais”, conclui.

O Autarca revelou ainda ao POSTAL que enquanto presidente do Conselho da Comunidade do Agrupamento dos Centros de Saúde (ACES) Algarve Central, que engloba os centros de saúde de Albufeira, Faro, Loulé, Olhão e São Brás de Alportel, contactou os restantes autarcas do grupo e que “em Albufeira o SUB está a funcionar só com um médico e que está sem pessoal auxiliar”. 

Governo anuncia Reforços de miséria

O ministro da Saúde, Paulo Macedo, anunciou sexta-feira da passada semana na Comissão Parlamentar de Saúde, onde foi chamado, o reforço de enfermeiros, médicos e assistentes operacionais para a região do Algarve (VER).

De acordo com o Ministro para a região foram abertas vagas destinadas a 45 enfermeiros, para médicos de medicina geral e familiar e, ainda, para médicos hospitalares. A estas junta-se a contratação de assistentes operacionais.

O anúncio de Paulo Macedo é uma ajuda para colmatar a falta de pessoal de saúde na região, mas a verdade é que o que o ministro anuncia só pode ser classificado como migalhas.

É que na região faltam, de acordo com dados oficiais da ARS-Algarve, 282 médicos, 159 enfermeiros, 244 assistentes operacionais, 101 assistentes técnicos, 22 técnicos de diagnóstico e terapêutica, e 15 técnicos superiores, para que os serviços de saúde possam funcionar normalmente.

Os dados foram revelados pelo presidente da ARS-Algarve na Comissão Parlamentar de Saúde onde foi chamado na passada semana e revelados ao POSTAL pelo deputado Paulo Sá, eleito pelo PCP no círculo do Algarve.

Basta comparar o número de vagas lançadas a concurso para os enfermeiros – revelado pelo ministro – para perceber a diferença entre as necessidades e a resposta do Governo.

Para o deputado Paulo Sá “as vagas abertas pelo Governo não respondem a mais de 10% das necessidades do sistema de saúde na região” e, portanto, não cumprem “o dever constitucional de garantir à população o acesso à saúde que é uma das obrigações do Estado e, pois, do Governo”.

O PCP exigiu ao ministro hoje a supressão de todas as necessidades detectadas pela ARS Algarve e, de acordo com o deputado Paulo Sá, “o ministro limitou-se a fugir à questão”.

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