Aeroporto de Faro preparado para reagir ao ébola

Aeroporto de Faro preparado para reagir ao ébola

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Aeroporto de fAro recebeu hoje instruções sobre o Ébola da Direcção-Geral de Saúde
Aeroporto de Faro recebeu hoje instruções sobre o Ébola da Direcção-Geral de Saúde

A possibilidade de entrada de um portador do vírus ébola através do Aeroporto Internacional de Faro é baixa, uma vez que, não existem voos directos entre os países afectados até ao momento pela epidemia e a capital algarvia. Não obstante existem ligações com inúmeros aeroportos espalhados por todo o continente europeu e em particular com o aeroporto de Lisboa que tem ligações directas com países no continente africano, nomeadamente, na África Ocidental.

Apesar da baixa probabilidade, um aeroporto internacional constitui sempre um foco de preocupação quando se tratam de surtos de doenças especialmente graves como é o caso do ébola e ao POSTAL o delegado de saúde do Agrupamento de Centros de Saúde Central do Algarve (ACES Central) revelou que “foram hoje recebidas instruções, sobre os cuidados e as reacções a ter face à epidemia de ébola, da parte da Direcção-Geral de Saúde (DGS) e tive já oportunidade de as transmitir aos responsáveis do Aeroporto de Faro, para que sejam implementadas”.

Ao Postal Pedro Bettencourt, da Administração do Aeroporto de Faro, confirmou entretanto a recepção da informação e a sua imediata disponibilização aos operacionais aeroportuários.

As indicações da DGS, revela a mesma o delegado de saúde do ACES Central, João Camacho, dizem respeito aos cuidados a ter com o controlo de entradas face à hipótese de presença de pessoas infectadas e medidas de informação dos operadores aeroportuários, bem como, acerca dos procedimentos a tomar quando surjam casos suspeitos e que passam pelo isolamento do passageiro e pelo contacto com a linha Saúde 24 que é a responsável pela referenciação primária e acompanhamento dos casos até aos hospitais de referência”.

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Recorde-se que a nível nacional os hospitais de referência para a primeira linha de resposta a casos suspeitos de ébola são o Hospital de São João, no Porto, e os Hospitais Curry Cabral e Dona Estefânia, em Lisboa, este último para a área da pediatria.

Assim o procedimento em caso de suspeita passará por isolar no aeroporto o passageiro e aguardar a sua transferência para o hospital Curry Cabral em Lisboa que dispõe de meios e pessoal especializado para acompanhamento de uma situação de risco. Ao Instituto Ricardo Jorge cabe toda a área de despistagem da efectiva presença do vírus.

Estado de emergência internacional

O estado de emergência de saúde pública de âmbito internacional foi emitido pela Organização mundial de Saúde (OMS) como resultado da evolução da epidemia de ébola que afecta a Libéria, a Guiné-Conacri, a Nigéria e a Serra Leoa e que já vitimou, de acordo com os últimos dados disponíveis, 962 pessoas e infectou outras 1.779.

Desde Março que a DGS tinha já efectuado um alerta sobre a matéria, tal como o Postal noticiou (VER). A DGS esclarece em comunicado que “os serviços da DGS estão em contacto permanente com estruturas homólogas de outros países da União Europeia e da OMS” sobre a evolução do surto de ébola.

Ainda de acordo com a DGS, “a Linha de Saúde 24 (808 24 24 24) está preparada para responder, aconselhar e encaminhar situações que careçam de esclarecimentos complementares ou encaminhamento específico” e foi criado “um dispositivo de coordenação em Portugal, que se mantem em alerta e, se necessário, mobilizará e activará recursos que sejam adequados a cada situação que venha a ser identificada. Este dispositivo foi criado no âmbito da Unidade de Apoio à Autoridade de Saúde Nacional e à Gestão de Emergências em Saúde Pública da DGS e integra especialistas internos e de outros organismos”.

Imagem do vírus ébola ao microscópio
Imagem do vírus ébola ao microscópio

O que é o ébola

O vírus ébola provoca uma febre hemorrágica e é um das mais virulentas doenças virais conhecidas, tendo sido identificada pela primeira vez na actual República Democrática do Congo (antigo Zaire) e no Sudão em 1976.

Das estirpes do vírus conhecidas, as identificadas no antigo Zaire e no Sudão são as mais mortais com as taxas de mortalidade a variarem entre os 25 e os 90% dos casos identificados.

A infecção transmite-se por contacto directo com sangue, fluídos corporais e tecidos de doentes infectados, bem como, através do contacto com animais selvagens mortos e infectados.

Sem cura conhecida o tratamento dispensado aos doentes é de suporte face aos sintomas desenvolvidos pelo paciente.

De acordo com João Camacho, delegado de saúde do ACES Central, “a não transmissão do ébola por via aérea e o curto período de incubação do vírus fazem acreditar que na Europa e Estados Unidos, face à nossa experiência nas áreas de saúde pública, o controlo da doença é mais fácil quando comparado com outras doenças com períodos de incubação mais longos”.

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