O Dia Novo de Viviane

O Dia Novo de Viviane

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Viviane regressa à estrada em breve para dar a conhecer ao grande público o 'Novo Dia'
Viviane regressa à estrada em breve para dar a conhecer ao grande público o ‘Novo Dia’

Vinte e quatro anos depois de se ter lançado nas lides da música Viviane continua a mutar sobre um estilo e uma voz únicos, trabalhados sobre o cruzamento de um triângulo histórica e musicalmente indissociável que une a chanson francesa, o tango argentino e o tão nosso e já mundial e imaterial património, o fado.

‘Dia Novo’, o mais recente trabalho da cantora, é como Viviane disse ao Postal “o meu fado” e não um disco de fado.

Ali onde a guitarra portuguesa fez soçobrar o reinado do acordeão na sonoridade de Viviane, os poemas apelam a este novo fado que brota a cada canto actualmente e, de facto, ao ouvir-se o dedilhar da majestosa guitarra nacional o ouvido luso tende a espartilhar rapidamente a melodia na categoria de fado. Mas este disco é muito diverso do fado, é Viviane reinventada tal como a par e passo nos habituou e é, essencialmente, alma numa melodia mais despida, menos tomada pela imensidão melódica do fole do acordeão e mais rasa para que sobressaia a interpretação.

A força do novo a cada momento

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‘Dia Novo’ é o nome do disco, mas é para Viviane “um desafio de permanentemente aceitar novas experiências e novas linguagens”. Há, diz, “luz e energia neste título de um poema de José Luís Peixoto” e foram essas ideias que determinaram a escolha do título do disco.

“É uma questão de feitio”, aponta Viviane como a razão para a permanente sede de descobrir rotas dentro dos mares musicais. Há um caminho que se faz a descobrir, vivendo e superando-se como no caminho ‘Do Chiado até ao Cais’ a que a cantora dá voz na pista que serviu de lançamento a este novo disco.

As músicas inesquecíveis na voz de Viviane

“Há músicas que nos marcam”, diz Viviane, e é ao pegar nelas e fazê-las suas num processo de desapego face às originais que surgem temas como ‘Com toda palabra’, de Lhasa de Sela, cuja morte prematura não deixou indiferente Viviane face à admiração pela cantora norte-americana.

‘A outra’, de Marcelo Camelo, é a segunda música que Viviane rapta para o seu repertório de ‘Dia Novo’, admiradora que se sente do trabalho deste brasileiro e finalmente, como quase que inevitável, surge Serge Gainsbourg reinventado na voz da cantora radicada no Algarve a partir da interpretação de Françoise Hardy de ‘Comment te dire adieu’.

E quem poderia esperar a guitarra portuguesa a encher ‘Comment te dire adieu’, podem perguntar-se, mas a verdade é que nada surpreende quem conhece a camaleónica capacidade de reinvenção de Viviane, um estilo que lhe deu uma merecida legião de fãs e que é pela cantora exercido com mestria de pura arte. 

Um ano de criação

‘Dia Novo’ “levou um ano” a pôr de pé, diz Viviane que prefere o trabalho feito da letra para a melodia, com os poemas pensados e vividos à exaustão antes de se lhes dar encorpo com a melodia.

“Prefiro assim”, mas nem sempre assim é, e neste disco há o caso inverso com ‘Plenos pulmões’, de Tiago Torres da Silva, em que da música o letrista fez o poema de uma canção marcante.

Ao lado de Tó Viegas, o seu parceiro de sempre nestas andanças de ser um dos nomes de referência da cena musical nacional está de volta Viaviane, em versão acústica, como ela própria gosta de se fazer ouvir, inconfundível e sempre arrebatadora.

Agora falta levar à estrada a nova marca do percurso artístico de Viviane num caminho que a cantora gosta de fazer e de sentir. “É importante a empatia com o público e é essencial apercebermo-nos das reacções e emoções que conseguimos criar no público”, diz Viviane, para quem a estrada e o palco são elementos indissociáveis da arte de cantar.

Há muito e tanto mais ainda para descobrir nos 12 temas de ‘Dia Novo’, há acima de tudo a voz inconfundível de um nome incontornável, Viviane. E o resto é música, por isso deixe levar-se por ela e descubra também um ‘Dia Novo’.

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