IAPMEI diz não a Vítor Aleixo

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Vítor Aleixo viu cair por terra a tentativa de colar os apoios do Estado ao comércio com a ideia de proteger os comerciantes dos efeitos da abertura do IKEA
Vítor Aleixo viu cair por terra a tentativa de colar os apoios do Estado ao comércio com a ideia de proteger os comerciantes dos efeitos da abertura do IKEA

O presidente do Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e Inovação (IAPMEI), Miguel Cruz, disse esta tarde “não” ao presidente da Câmara de Loulé Vítor Aleixo depois deste ter afirmado que a Medida Comércio Investe que estava a ser apresentada “tinha na sua origem a necessidade de se criar um paliativo para o comércio tradicional como resultado da abertura do IKEA em Loulé”.

Questionado pelo Postal sobre se a medida tinha efectivamente esse objectivo Miguel Cruz foi claro, “não temos qualquer preocupação de fazer qualquer exercício compensatório”, afastando por completo a ligação entre a medida de incentivo ao comércio e o projecto do mega centro comercial do IKEA previsto para Loulé.

Caiu assim por terra a tentativa de Vítor Aleixo de fazer passar a ideia de que a Medida Comércio Investe estava relacionada com qualquer compensação ao comércio pela abertura do IKEA e de uma só penada o autarca louletano permite concluir que ele próprio está preocupado com os efeitos do IKEA no comércio local de Loulé, a tal ponto de desejar que uma medida nacional de apoio ao comércio venha ajudar o comércio local a resistir ao IKEA. 

Vítor Aleixo fala em medida “paliativa”

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O autarca de Loulé vê tal necessidade de apoio ao comércio local para enfrentar o IKEA que chegou mesmo a referir-se à medida de apoio do IAPMEI como “paliativo para o comércio local”, o mesmo é dizer remédio que não cura mas apenas mitiga a doença.

Mas quem não se deixou levar pela tentativa de reduzir o impacto negativo mais do que previsível do IKEA no comércio local foi o presidente do IAPMEI, que repetidas vezes fez questão de “sublinhar” que a Medida Comércio Investe nada tinha a ver com o processo de abertura do IKEA ou com a minimização dos seus efeitos. 

Vítor Aleixo desarmado

Depois da posição clara do presidente do IAPMEI, Vítor Aleixo nada mais disse sobre a relação entre o memorando assinado hoje na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (VER) e a abertura do gigante IKEA.

Miguel Cruz tirou o tapete a Vítor Aleixo que tinha afirmado que “a Câmara de Loulé enviará já amanhã o memorando a todas as associações do concelho relacionadas com a área do comércio” e que, assim, não poderá dizer que a medida visa apoiar o comércio face à abertura do IKEA quando publicitar esta medida junto dos comerciantes e estruturas representativas do seu concelho.

O comércio de Loulé e de Faro foram escolhidos como exemplo a apoiar no lançamento desta fase de candidaturas ao Comércio Investe “por se tratarem de duas zonas urbanas com elevada densidade de comércio tradicional”, como claramente referiu David Santos, presidente da CCDR, e não como qualquer forma de ajudar o comércio a resistir a um poderoso grupo comercial que prevê abrir em Loulé dois centros comerciais, uma loja IKEA e mais duas lojas de grande superfície que ditarão a morte de muitos comerciantes.

Quem ficou visivelmente incomodado com as declarações de Vítor Aleixo, que deixaram mesmo David Santos espantado, foi Vítor Guerreiro, presidente da Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL), que o Postal tentou contactar mas se encontra ainda na reunião que se seguiu à apresentação da Medida Comércio Investe na CCDR.

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