Algarve arrisca-se a ficar sem presença militar

Algarve arrisca-se a ficar sem presença militar

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Jorge Botelho, presidente da AMAL, está contra a saída do RI1 do Algarve
Jorge Botelho, presidente da AMAL, está contra a saída do RI1 do Algarve

O Algarve, que esteve entre meados dos anos 90 do século passado e 2008 sem qualquer presença militar na região, após o encerramento do Regimento de Infantaria de Faro, arrisca-se a ficar novamente na condição de região sem presença de um dos símbolos maiores da soberania do Estado.

A ameaça surgiu das declarações feitas pelo titular das forças terrestres do exército português durante as comemorações do aniversário do Regimento de Infantaria n.º1 (RI1) sediado no Quartel da Atalaia em Tavira.

Segundo aquele responsável militar, a transferência do RI1 para Beja está decidida do ponto de vista militar e depende apenas agora de decisão política.

Uma decisão política a que, a ser no sentido de saída do contingente estacionado em Tavira, naturalmente se opõem os mais de 450 mil habitantes do Algarve que, decerto, vêem na presença daquela força militar uma mais-valia para a região, bastando para tanto nos valorosos contributos daquela unidade ao nível da protecção civil e em particular na vigilância contra os incêndios florestais, mesmo que se ignorassem todas as outras questões relevantes para as quais contribui a presença de uma unidade militar que serve toda a região.

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AMAL contra a saída

Quem está, também, contra a saída do Algarve do RI1 é a Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), com o seu presidente Jorge Botelho a sublinhar ao POSTAL a “importância dos serviços prestados pela unidade à região, com especial destaque no domínio da prevenção dos fogos florestais durante as épocas críticas”, naquela que, diz, “tem sido uma profícua cooperação entre as forças armadas e as autarquias da região, ao serviço de um bem comum e da população algarvia”.

Nesse sentido, acrescenta o também autarca tavirense, “a AMAL já fez questão de marcar posição contra uma eventual decisão que afaste o RI1 do Algarve ou diminua a sua componente operacional, assim como, a sua autonomia no quadro da hierarquia das forças armadas”.

A Assembleia Municipal de Tavira aprovou uma moção em que assume posição contrária a uma eventual saída do RI1 do Algarve e em concreto daquela cidade e no mesmo sentido se manifesta a Assembleia de Freguesia da União de Freguesias de Tavira em Moção aprovada pelo órgão colegial remetida à redacção do POSTAL.

Num quadro de constante ameaça de encerramento de serviços e representações do Estado na região, cujo último de vários episódios foi o encerramento do Tribunal de Monchique, a região vê-se, uma vez mais, na mão do desmando de decisões tomadas a despeito da posição das entidades locais e regionais representantes da vontade dos algarvios.

Aos políticos cabe reconhecer a importância da região do Algarve e o seu direito, como o de qualquer região do país, a contar com a presença de uma força militar que possa responder às necessidades das populações locais e da unidade formal do Estado, mesmo em tempo de paz.

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