Fim da Globalgarve deixa Câmaras sujeitas a apagão on-line

Fim da Globalgarve deixa Câmaras sujeitas a apagão on-line

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Administração cessante da Globalgarve alerta para possibilidade de apagão on-line das autarquias da região
Administração cessante da Globalgarve alerta para possibilidade de apagão on-line das autarquias da região

As Câmaras do Algarve estão à mercê de um apagão on-line devido à insolvência da Globalgarve, a empresa que era responsável pelo alojamento dos conteúdos dos sítios on-line das autarquias.

O perigo de um apagão dos sítios da autarquias na internet resulta de os conteúdos disponíveis nas páginas/portais das Câmaras estarem alojados actualmente num centro de dados privado e cujo suporte técnico é também prestado por uma empresa privada.

“Se estas duas empresas não receberem o pagamento pelo serviço que prestam às autarquias podem a qualquer momento deixar de assegurar esses serviços”, diz Victor Guerreiro, ex-presidente do Conselho de Administração cessante da Globalgarve, e nesse caso o apagão afectará os sítios on-line das Câmaras.

Rede de fibra óptica das autarquias à mercê dos privados

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Também à mercê dos privados está a rede de fibra óptica que serve os edifícios das autarquias de todo o Algarve, um património que ainda pertence à Globalgarve, apesar de ter sido declarada a sua insolvência, e que está em processo de venda (liquidação).

Se for comprado por um privado as autarquias ficam reféns de uma qualquer empresa privada quanto à da fibra óptica que permite o funcionamento em rede dos vários edifícios das Câmaras em cada concelho (VER).

“Quinhentos mil euros foi o preço pelo qual a rede de fibra óptica já foi colocada à venda e, uma vez que não houve compradores, actualmente a compra deste património da Globalgarve poderá ser feita por ajuste directo entre qualquer comprador e o Administrador de insolvência”, referem os membros do Conselho de Administração cessante da Globalgarve, podendo assim deixar nas mãos de privados o controle de um sistema que é fundamental ao serviço público prestado pelas autarquias. 

Administração cessante da Globalgarve apela a intervenção pública

Estas são algumas das conclusões que resultam da conferência de imprensa realizada pelo Conselho de Administração cessante da Globalgarve, na passada sexta-feira, no auditório da Região de Turismo do Algarve.

A situação pode ser potencialmente grave e gerar sérios problemas às autarquias, não só pela possibilidade de um apagão on-line dos portais autárquicos na internet, mas porque pode sujeitar as Câmaras a verem a sua rede de interligação concelhia em banda larga ser propriedade de um qualquer privado, que lhes poderá cobrar o que bem entender pela respectiva utilização.

Exactamente por isso Victor Guerreiro, presidente da Associação de Comércio e Serviços do Algarve, Carlos Luís, presidente da Confederação dos Empresários do Algarve e Calçada Correia, da empresa Calçada Correia II, Lda., que constituem o Conselho de Administração cessante da Globalgarve, consideram que “é do interesse público, da região e dos algarvios, que se promova uma intervenção pública que possa garantir a continuidade de operação dos portais das autarquias e a salvaguarda na esfera pública da rede de fibra óptica instalada entre os edifícios autárquicos”.

Proteger o serviço público

Para que se possa garantir os conteúdos dos portais autárquicos e a sua utilização on-line alguém terá de assumir a responsabilidade pelos custos de alojamento e operacionalidade do centro de dados onde estão alojados.

“Desde a insolvência da Globalgarve [em Julho deste ano] que estes serviços estão a ser prestados às autarquias por duas empresas a quem se têm de pagar os serviços que prestam e que mantêm o serviço à custa da boa-vontade e da massa insolvente da Globalgarve”, referiu Calçada Correia na conferência de imprensa.

As autarquias estão assim a usufruir gratuitamente de um serviço que tem custos associados e arriscam-se a um apagão geral na internet.

Já a rede de fibra óptica das autarquias, que ainda é um activo da massa insolvente da Globalgarve, está à venda e se as autarquias não a adquirirem poderá ser comprada por um privado que depois pode cobrar o que entender pela respectiva utilização.

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