Visualforma não quer redes de fibra óptica da Globalgarve

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Visualforma não quer rede de fibra óptica da Globalgarve
Visualforma não quer rede de fibra óptica da Globalgarve

A Visualforma, empresa de tecnologias liderada por Luís Ferrinho, “não está interessada na compra das 16 redes de fibra óptica instaladas nas Câmaras algarvias”.

As declarações de Luís Ferrinho ao POSTAL surgem na sequência da conferência de imprensa realizada na passada sexta-feira pelo Conselho de Administração cessante da Globalgarve (VER).

Para Luís Ferrinho as 16 redes que ligam entre si edifícios camarários das Câmaras do Algarve “não têm qualquer interesse comercial, nem podem ter”.

De acordo com o responsável pela Visualforma, as 16 redes concelhias de fibra óptica não podem ser utilizadas comercialmente por três razões: estão maioritariamente instaladas dentro dos edifícios das autarquias, foram criadas com recurso a fundos comunitários (75%) e públicos de origem regional (25%) e não cumprem a legislação para utilização para tráfego comercial de dados.

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Redes de fibra óptica da Globalgarve não têm valor comercial relevante

Das palavras de Luís Ferrinho rapidamente se conclui que as redes que o administrador de insolvência da Globalgarve quis vender por 500 mil euros, pouco ou nenhum valor comercial têm.

Por um lado as redes estão na maioria integradas em edifícios públicos, pelo que a sua aquisição pode ser sempre atacada pelas autarquias que são proprietárias dos imóveis.

Por outro lado as 16 redes concelhias de banda larga foram integralmente pagas ao abrigo do programa Algarve Digital por dinheiros públicos, 75% oriundos de fundos comunitários e 25% resultantes de participações das autarquias do Algarve.

Por fim, as redes em causa estão colocadas a menos de um metro de profundidade o que impede legalmente a sua utilização para fins comerciais.

Estas terão sido as razões que levaram a que ninguém se candidatasse à compra das redes quando o administrador de insolvência da Globalgarve as quis vender por meio milhão de euros.

Quem pode querer comprar as redes

A interessarem a alguém, as redes só interessariam a uma de três empresas: a quem tem o suporte dos portais camarários das autarquias algarvias, a quem aloja os conteúdos desses mesmos portais ou a quem os mantém operacionais (VER).

O POSTAL investigou e no primeiro caso está a empresa Visulaforma e outras suas subsidiárias, que criaram e mantêm os sítios on-line das autarquias e no segundo caso estão as empresas Flesk (centro de dados) e Algardata, que assegura a manutenção dos servidores onde estão alojados os conteúdos.

Com a Visualforma fora da corrida só restam duas possibilidades na área privada, ou uma terceira em que a rede poderá ser adquirida pelas próprias autarquias através da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve, como um todo, ou com cada Câmara a adquirir a respectiva mini-rede instalada no seu concelho.

Ao POSTAL Luís Ferrinho esclareceu ainda que a inviabilidade da Globalgarve foi demonstrada por um estudo encomendado pela empresa e disponibilizado à Administração da Globalgarve então liderada pelo autarca farense Macário Correia.

Segundo o responsável da Visualforma, a Globalgarve só seria viável com um forte investimento no seu centro de dados que estava obsoleto e com um acordo de utilização para interligar as redes concelhias de banda larga através da rede de fibra óptica da Águas do Algarve.

Um cenário que em 2012 foi equacionado pela Visualforma que propôs a compra da Globalgarve a Macário Correia, José Amarelinho, presidente da Câmara de Aljezur, e António Eusébio, ex-presidente da Câmara de São Brás de Alportel (na época pertencentes ao Conselho de Administração da Globalgarve), disse ao POSTAL o líder da Visualforma.

Só uma conclusão pode ser retirada deste processo, há muito que havia quem soubesse que as redes de fibra óptica da Globalgarve não tinham valor comercial de relevo e que a empresa apresentava estas redes como um activo cujo valor real era muitíssimo inferior ao suposto.

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