Ano novo, vida nova! Que dizer da Esperança?

Ano novo, vida nova! Que dizer da Esperança?

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Maria João Neves Ph.D
Maria João Neves Ph.D *

Consultório Filosófico: 

Com a chegada do ano novo, fazem-se planos, estabelecem-se metas, manifestam-se votos de esperança. Mas, afinal, o que é a esperança?

De uma forma geral, entendemos a esperança como uma expectativa de resultados positivos, com respeito a um assunto ou circunstância da nossa vida. 

Infelizmente, nos dias de hoje, a esperança parece um bem escasso. A interacção da austeridade fiscal com o choque económico e uma protecção social fraca parecem ter desencadeado a escalada das crises sociais que experimentamos, não só no nosso país, mas por essa Europa fora. Cada vez andamos mais desesperançados! Em vez de esperança, desesperança. Em vez de vivermos, desvivemo-nos!

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Filosoficamente, a esperança pode ser entendida como abertura positiva ao tempo futuro (María Zambrano, O Homem e o Divino). Esta abertura positiva ao tempo futuro vem acompanhada de um impulso para a acção: uma vontade de se “fazer ao caminho” ou de “pôr a mão na massa” como se costuma dizer. A pessoa esperançada é activa; a desesperança, pelo contrário, imobiliza.

Afinal, e fazendo nossa a pergunta de Pablo Neruda, “sofre mais aquele que sempre espera, ou aquele que nunca esperou nada?” Do ponto de vista budista, esperança e medo, são ilusões das quais nos devemos livrar. A esperança é, como vimos, vivenciada como abertura ao tempo futuro, o medo como fechamento ou obstrução desse mesmo futuro. Libertos do medo e da esperança, estaríamos, por fim, no aqui e agora. Ambos sentimentos, aparentemente tão naturais em nós, impedem a experiência do momento presente, que é a nossa verdadeira realidade.

Na tradição cristã, a esperança, juntamente com a fé e a caridade, constitui uma das três virtudes teologais, que são aquelas que têm como origem, motivo e objecto imediato o próprio Deus. A esperança aproxima-nos de Deus. Deste modo, a pessoa esperançada participa da graça divina.

Estudos recentes da medicina, na área da psiconeuroimunologia, demonstraram que o estado psicológico do indivíduo pode, de facto, influenciar a sua condição de saúde. A investigação revelou que a disposição positiva está associada a um melhor funcionamento imunitário.

Assim sendo, quanto não seja pela nossa saúde, há que cultivar a esperança!

* Maria João Neves Ph.D

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