Que futuro queremos para o Quartel da Atalaia?

Que futuro queremos para o Quartel da Atalaia?

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José Delgado Martins
José Delgado Martins*

O artigo “Quartel da Atalaia que futuro?”, publicado em 24 de Julho último, tem motivado um saudável movimento de apoio à proposta da sua recuperação para reconversão no Centro Cultural do Algarve.

Para além das intervenções públicas de notáveis tavirenses como Carlos Lopes e Rui Cabrita, muitos outros respeitáveis cidadãos, preocupados com o destino daquelas instalações, vêm por variados meios manifestando a sua empenhada adesão à ideia.

O encerramento do Centro Cultural em Almancil, das Galerias do Trem em Faro e a entrada em regime de Dieta rigorosa do Palácio da Galeria em Tavira, ignorando toda e qualquer proposta de colaboração, criaram um profundo vazio na área das artes visuais e performativas do Algarve.

Torna-se assim premente o preenchimento desta lacuna, de modo a satisfazer a interessada procura não só das populações locais, nacional e estrangeira, mas também do crescente fluxo turístico que não se satisfaz apenas com sol, praia, artesanato e gastronomia.

Acresce que a ausência por parte dos poderes central e local de qualquer projecto de desenvolvimento estruturante que garanta a sobrevivência socioeconómica desta envelhecida Cidade, limitada e dependente dos fluxos das agências turísticas, explica as preocupações e justifica as propostas deste movimento em torno da recuperação do moribundo Quartel.

Pequenas cidades como Avinhão com o teatro, Beyrouth com a música, ou Cannes com o cinema asseguram a sua subsistência e notoriedade graças ao seu investimento nas “indústrias da Cultura .

É justo recordar que já há vários anos o autarca Macário Correia previu a perda de interesse militar do Quartel da Atalaia, defendendo então a sua reconversão em centro nevrálgico da cidade, acolhendo repartições públicas como finanças, notário e conservatórias.

Foi pois com alguma surpresa que lemos o artigo do nosso capitão Arnaldo Anica, publicado no Postal do Algarve de 21 de Agosto de 2015.

Não obstante reconhecer os perigos da saída do Regimento de Infantaria 1 para Beja e do risco de dissolução do Quartel, vem insurgir-se contra a alteração do seu destino, defendendo a sua manutenção como Unidade militar. Não acreditando “…que o Quartel fique abandonado ou que seja entregue a quem mais dinheiro ele der. Os governantes do Exército têm obrigação de prevenir, antes de remediar. E prevenir impõe que o Algarve não fique entregue a si próprio…”

Concluindo “…Se quiserem colocar o R.I nº I em Beja, arranjem outro Regimento para o Algarve”.

Não obstante a consideração que temos pela respeitável figura do capitão Arnaldo Anica, insubstituível memória viva da nossa Cidade, não podemos deixar de discordar com a sua romântica e saudosista posição.

Quando as altas patentes militares e responsáveis entidades consideraram obsoletas tais instalações para uso militar, retirando o último Regimento ali instalado, não somos nós ignorantes cidadãos que conseguiremos evitar tal certidão de óbito.

E acreditar que os nossos governantes, se os deixarmos, não irão passar a patacos o Quartel da Atalaia, como ocorreu em numerosos quartéis de norte a sul e em Tavira com o Convento da Graça, não passa de uma cândida atitude.

Continuando cada vez mais motivados para levar a bom termo esta proposta convidamos todos que acreditam na bondade deste enriquecedor projecto para Cidade a darem o seu contributo de modo a fortalecer este movimento.

* Presidente da Direcção da Casa das Artes de Tavira

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