Algarvios querem suspensão das portagens durante as obras na EN 125

Algarvios querem suspensão das portagens durante as obras na EN 125

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Obras na EN 125 são reclamadas pelos algarvios há mais de três décadas (foto: Luís Forra/Lusa)
Obras na EN 125 são reclamadas pelos algarvios há mais de três décadas (foto: Luís Forra/Lusa)

Autarcas e responsáveis pelo turismo do Algarve querem a suspensão das portagens na Via do Infante (Autoestrada 22) até terminar a requalificação na Estrada Nacional 125, que são bem-vindas mas têm sido uma “dor de cabeça” para os automobilistas.

“Estas obras pecam por ser tardias, mas eram necessárias”, afirmou à Lusa o presidente da Entidade Regional do Turismo do Algarve, lamentando que para se ir de Lagos ou Portimão até ao aeroporto internacional de Faro se demore, pela Estrada Nacional (EN) 125, cerca de três horas.

Numa altura em que a época forte do turismo se aproxima e com ela o aumento do tráfego na 125, Desidério Silva defende que “a solução mais próxima e mais fácil é, claramente, criar condições para que as pessoas circulem na Via do Infante de uma forma gratuita, particularmente no período em que esta estrada está em obras”.

Há mais de três décadas que os algarvios reclamam uma intervenção de fundo na estrada nacional de 160 quilómetros, que atravessa a região de uma ponta à outra e passa pelas localidades do litoral, sendo considerada uma das mais perigosas e com mais acidentes do país.

“Há que ver isto com muita atenção porque não nos podemos dar ao luxo de manchar a época turística com uma estrada que é extremamente perigosa e que, de forma alguma, vai responder como alternativa à Via do Infante [que também atravessa a região]”, avisou o presidente da Câmara Municipal de Albufeira.

Carlos Silva e Sousa também defende que se “deve pensar muito seriamente em suspender as portagens na Via do Infante, durante o período do Verão”.

A requalificação da 125, que foi anunciada em 2008 e incluía obras para acabar com o estacionamento nas bermas e a criação de cerca de 60 rotundas, foi sendo adiada e só arrancou definitivamente em 2015, numa versão mais curta e barata.

Presidente da AHETA criticou horário das obras na EN 125

Por seu lado, o presidente da Associação dos Hoteleiros e Empresas Turísticas do Algarve (AHETA) criticou a altura do dia em que são feitas as intervenções, que dão uma “má imagem” da região, defendendo que esses trabalhos deviam ser feitos a partir das 18 horas e não durante o dia.

“A produtividade seria maior e causaria menos transtorno às pessoas”, afirmou Elidérico Viegas, que também entende que, “pelo menos neste momento, devem ser suspensas as portagens na Via do Infante”.

A introdução de portagens na auto-estrada em Dezembro de 2011 veio aumentar a circulação automóvel na EN 125 e significou um crescimento da sinistralidade rodoviária.

O vice-presidente da Câmara de Loulé, Hugo Nunes, considerou que as obras são “necessárias, bem-vindas e esperadas há muitos anos”, permitindo o “aumento da segurança e da fluidez do tráfego na 125”.

“A opinião do turista [sobre Portugal] pode ser alterada com os incómodos que a intervenção acarreta”, admitiu, contudo, o autarca, que considera também que “a não cobrança das portagens poderia ajudar a reduzir o impacto de ter a estrada em obras”.

Em vários troços da EN 125 o trânsito é feito numa só via de forma alternada, o que implica a criação de filas de espera durante praticamente todo o dia, mas mesmo assim os automobilistas com quem a Lusa falou salientaram a importância das obras.

“Estou a viver no Algarve há 25 anos, estava desejoso de ter a 125 renovada e é o que temos agora”, disse João Gouveia, concordando que “seria uma excelente ideia, durante as obras, permitir o acesso sem portagens à Via do Infante”.

A Lusa tentou em vão obter esclarecimentos sobre o estado dos trabalhos na EN125 junto da Rotas do Algarve, empresa a quem foram adjudicadas, em Abril de 2009, as obras de requalificação, beneficiação e exploração numa extensão de 118 quilómetros (entre Vila do Bispo e Faro) e a construção de variantes em Lagos, Troto e Faro.

(Agência Lusa)

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