O que há de verdade na ‘boa vibração’?

O que há de verdade na ‘boa vibração’?

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Maria João Neves Ph.D – Consultora Filosófica *

Filosofia dia-a-dia

É frequente ouvir dizer que certa pessoa ou certo lugar propicia boas (ou más) vibrações. Será esta expressão apenas uma metáfora, ou haverá algo de real nela?

A Harmonia das Esferas

Os filósofos Pitagóricos (sec. VI a. C.) formavam uma comunidade de carácter moral e religiosa, mas distinguiram-se, sobretudo, pelas suas investigações matemáticas. Convencidos de que o universo está constituído harmoniosamente, os Pitagóricos deram-lhe o nome de Cosmos que significa ordem. Partindo da premissa de que cada movimento regular emite um som harmonioso, acreditavam na consonância geral do universo que produziria continuamente a “música das esferas”, sinfonia que nós não ouvimos precisamente pelo seu carácter permanente.

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A Alma é uma lira

Os Pitagóricos acreditavam que a alma era um instrumento musical constituído por cordas. Tendo observado que quando duas liras se encontram perto uma da outra, basta fazer soar a corda de uma delas para que na outra ecoe o som, consideraram a música como uma força que afecta directamente a alma: a boa pode melhorá-la, a má pode corrompê-la. Criaram uma ciência chamada Psicagogia – Guia das Almas. À semelhança do que acontece com as liras, as almas ecoariam e influenciar-se-iam umas às outras de acordo com a vibração que emitiriam.

A Lei da Atracção

Os filósofos Demócrito de Abdera (460-370 a.C.) e Leucipo de Mileto (sec. V a.C) foram os primeiros a afirmar que a natureza é constituída por átomos, na altura considerados a partícula ínfima e indivisível da realidade (do grego, “a”, negação e “tomo”, divisível. Átomo=indivisível).

Hoje em dia sabemos que o átomo é constituído por um núcleo onde se encontram protões e neutrões e uma nuvem de electrões que orbita à sua volta; conhecemos também as consequências da sua divisibilidade. No entanto, estes filósofos da antiguidade enunciaram uma lei que continua válida nos dias de hoje: o semelhante tende para o semelhante. Anaxágoras (500-428 a.C.), outro filósofo pré-socrático, declarou que “o Nous iniciava um vórtice e as partículas semelhantes juntavam-se para formar corpos.” Mais tarde Epicuro (341-270 a.C) afirmará que os átomos se encontram fortuitamente, por uma inclinação da sua trajectória. Este desvio pode acontecer por três motivos: vontade, desejo, ou afinidade com outro átomo. Sabemos que existem corpos que se comportam de maneira contrária, como é o caso dos ímans em que o semelhante se repele. No entanto, não deixa de surpreender que a lei de que o semelhante atrai o semelhante já tivesse sido enunciada no sec. V a.C.

A Teoria das Supercordas

Em 1984 os físicos quânticos J. Schwarz e M. Green apresentaram uma teoria segundo a qual as entidades mais fundamentais do Universo nas são pontos, mas objectos unidimensionais alongados como fios, que têm a capacidade de vibrar, a que deram o nome de supercordas. Trinh Xuan Thuan no leu livro O Caos e a Harmonia diz-nos que “da mesma maneira que um trio de violoncelos nos encanta ao interpretar Mozart, assim também as vibrações combinadas das três supercordas produzem a música do protão. O átomo, que é uma combinação de protões, neutrões e electrões, dispõe ainda de outros músicos de orquestra. Estes músicos são ainda mais numerosos, tornando o som ainda mais amplo e majestoso, quando se trata da molécula, que é feita de um conjunto de átomos. As supercordas cantam e vibram à nossa volta, e o mundo não é senão uma vasta sinfonia”.

  1. Portela, explica no seu livro Ser Espiritual. Da Evidência à Ciência que “segundo a teoria das superstrings, os animais, as plantas, as rochas, a água, o ar, os raios infra-vermelhos, os raios X e tudo o resto são diferentes vibrações das mesmas partículas básicas. Na aparência entidades separadas, somos afinal seres de energia vibrátil, intimamente ligados com tudo o mais no Universo, participantes de um imenso campo universal de Energia”.

Responsabilidade

O que não passava de uma suposição na Antiguidade parece estar provado pela actual física quântica: somos essencialmente vibração. As vibrações semelhantes atraem-se, as diferentes repelem-se. Daqui decorre que somos responsáveis não só por aquilo que somos, mas também pelo que nos acontece. Há que aprender a sintonizar-se bem!

* As reflexões sobre os textos da rubrica Filosofia Dia a Dia continuam nos Cafés Filosóficos que se realizam em Tavira e Faro em Português e Inglês. Para mais informações contacte filosofiamjn@gmail.com

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