Câmara de Aljezur inicia em breve projecto de valorização do Ribat da...

Câmara de Aljezur inicia em breve projecto de valorização do Ribat da Arrifana

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O Ribat da Arrifana é um complexo arqueológico de origem islâmica situado na ponta da Atalaia (Foto: R. V. Gomes)

O projecto de valorização do Ribat da Arrifana, um complexo arqueológico de origem islâmica, em Aljezur, “vai avançar em breve” em parceria com o Ministério da Cultura, disse esta sexta-feira à Lusa o presidente do município.

“O projecto engloba a realização de novas escavações para a recolha do espólio, a construção de um centro interpretativo e de um museu, de forma a salvaguardar e valorizar um monumento de grande riqueza histórica”, referiu o presidente da Câmara de Aljezur, José Amarelinho, no final de uma reunião com o ministro da Cultura, Luís Filipe de Castro Mendes, que visitou o local esta sexta-feira.

Segundo José Amarelinho, o ministro “reiterou a disponibilidade do Governo em avançar com o projecto que possa preservar e valorizar um património riquíssimo e único do ponto de vista histórico”.

“Trata-se de um equipamento cultural de extrema importância, não só para Aljezur e para o Algarve, como também para todo o país, daí a importância que o Governo reconhece e atribui ao Ribat da Arrifana”, destacou o autarca.

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Classificado como monumento nacional desde Julho de 2013, o Ribat da Arrifana é um complexo arqueológico de origem islâmica situado na ponta da Atalaia, tratando-se do único convento-fortaleza islâmico conhecido até hoje em território português e o segundo da Península Ibérica.

É constituído por várias mesquitas com oratórios (‘mirab’) onde os monges guerreiros muçulmanos, comandados pelo célebre mestre sufi Ibn-Qasi, faziam as suas orações, assim como por dependências destinadas tanto aos monges como aos peregrinos.

Os trabalhos arqueológicos, desenvolvidos e coordenados desde 2002 pelos arqueólogos Rosa e Mário Varela Gomes, puseram a descoberto sete sepulturas, uma das quais datada do século XII e pertencente a Ibrahim bn Sulaymãn bn Hayyãn, que seria um dos monges do mosteiro islâmico ou um peregrino.

Segundo os arqueólogos, o convento-fortaleza teria sido mandado edificar pelo mestre Sufi Ibn Qasi por volta de 1124 e abandonado em 1151 com a morte do seu fundador, sendo um local mítico do património Al-Andalus.

Durante as escavações, foi também encontrado diverso espólio, nomeadamente várias peças em cerâmica, artefactos metálicos e caixas-amuleto com decorações.

Para o presidente da Câmara de Aljezur, “o projecto conjunto da autarquia e o empenho do Ministério da Cultura, para a preservação e valorização do Ribat da Arrifana, é o reconhecimento de todo o esforço que tem sido feito desde há 16 anos pela Câmara na defesa de um importante património histórico-cultural”.

“No âmbito do projecto vamos iniciar campanhas de escavações para recolha de mais espólio, criar um centro interpretativo visitável e será criado um museu no local, constituindo um novo equipamento cultural de referência para Aljezur e para o país”, apontou.

(Agência Lusa)

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