Chaminés algarvias tradicionais sem protecção garantida

Chaminés algarvias tradicionais sem protecção garantida

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Há alguns municípios e freguesias que procuram valorizar este património

Em todo o Algarve, ainda estão de pé várias chaminés algarvias tradicionais, algumas com mais de 200 anos, mas muito do trabalho para proteger um dos símbolos da arquitectura popular algarvia ainda está por fazer.

Em forma de cilindro, rectângulo, quadrado ou prisma, as chaminés algarvias artesanais fazem parte do património arquitectónico da região, com algumas das estruturas criadas principalmente entre o século XVIII e início do século XX a afirmarem-se como objectos esteticamente ricos, muitas vezes, em contraste com a própria simplicidade das moradias.

No sítio da Direcção Geral do Património Cultural, a agência Lusa apenas encontrou uma casa com chaminé algarvia classificada como imóvel de interesse municipal, em Silves.

No Algarve, a Direcção Regional da Cultura desconhece que haja a introdução de um sistema ou mecanismos de protecção por parte de municípios e os levantamentos de chaminés tradicionais não são prática em toda a região.

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À Lusa, a directora regional da Cultura, Alexandra Gonçalves, afirma que os mecanismos legais para proteger este objecto “já existem” e tem-se tentado “desafiar algumas pessoas” para se arrancar com um processo de salvaguarda das chaminés algarvias.

A protecção, enfatiza, terá sempre de passar pelos municípios, que poderão – através dos seus regulamentos de urbanização (como o Plano Director Municipal) ou da classificação de interesse municipal – salvaguardar as chaminés.

No entanto, a protecção das mesmas terá de ser acompanhada “pela comunidade, proprietários e associações”, refere, antevendo também a possibilidade de proteger o próprio património imaterial associado às técnicas artesanais de construção destas chaminés – arte que se perdeu no Algarve e que já poucos dominam.

“Hoje assiste-se a uma maior consciência das pessoas” e é “frequentemente apontada nos pareceres municipais” a necessidade de preservar, mas “faltará muitas vezes a vontade dos proprietários em fazer a sua salvaguarda”, nota.

Entretanto, há já alguns municípios e freguesias que procuram valorizar este património, espalhado por toda a região.

Em Monchique, caracterizado pela “chaminé de saia”, a autarquia tem uma rota de chaminés e fez um levantamento destas estruturas no seu concelho, informou o presidente do município, Rui André, referindo que há uma equipa que está a trabalhar no sentido de classificar as chaminés, mas “não tem sido fácil”.

Apesar de querer avançar com a classificação, o autarca admite que esta situação “vai criar um ónus para o proprietário e para as habitações à volta”, um processo “moroso e burocrático”.

Para Rui André, o mais importante seria realizar-se um levantamento com georreferenciação das chaminés e há um caminho a ser feito por todo o distrito.

Também em Cacela, Vila Real de Santo António, foi feito um estudo das chaminés tradicionais. Segundo o coordenador da Divisão de Cultura e Património Histórico do município, Miguel Godinho, há “apenas trabalhos isolados de inventariação de algumas zonas”.

Um estudo da região “está por ser feito”, constatou, sublinhando que um inventário, “por si só, já seria um instrumento que permitiria proteger”.

Porém, “dever-se-ia caminhar para a classificação. A arquitectura popular é uma parte extremamente importante no património cultural algarvio e não se tem prestado a devida atenção”, constatou.

(Agência Lusa)

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