Mapa divulga os nomes dos mares algarvios, do “Parte e Rasga” ao...

Mapa divulga os nomes dos mares algarvios, do “Parte e Rasga” ao “Ossinho”

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Júlio Alhinho, pescador há 40 anos, congratulou-se com o trabalho realizado pelos investigadores, sublinhando que, se “os aldeamentos e os hotéis têm nome”, os mares também os devem ter sinalizados

Investigadores do Centro de Ciências do Mar (CCMar), em Faro, e pescadores de toda a região juntaram-se para criar um mapa da toponímia dos mares algarvios, com cerca de 500 nomes, apresentado hoje na Universidade do Algarve (UAlg).

Com base em mais de 200 inquéritos às comunidades piscatórias do Algarve, investigadores do CCMar criaram um mapa onde estão os nomes dados pelos pescadores a determinados mares, mas também a “rodões” (rochas isoladas), “prezuras” (locais onde se prendem as redes), “cabeços” (áreas elevadas e salientes em zonas rochosas), locais de naufrágio ou de “blocos” (recifes artificiais).

O mapeamento durou um ano a ser feito e contou com mais de sete mil entradas, que resultaram na atribuição de 500 nomes e designações dadas pelos pescadores a zonas da costa do Algarve, selecionados com a ajuda final de oito “mestres com experiência” e que representaram o Sotavento (zona oriental) e Barlavento (zona ocidental) algarvio, explanou o coordenador do projecto, Jorge Gonçalves.

Do concelho de Aljezur até Vila Real de Santo António, é possível encontrar o mar da Avozinha, perto de Sagres, do Ossinho (Lagos), da Couve (Armação de Pêra), do Chouriço, dos Galos, dos Pargos ou o Mar Negro (a sul da Praia da Luz).

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Há pedras que têm nomes de pessoas, como a pedra de Joaquim Tomás, uma zona é chamada de “Parte e Rasga” porque ali as redes “partiam-se e rasgavam-se”, e há até o corredor da Makro, em que os pescadores usavam a superfície comercial da Makro de Albufeira, “uma construção imponente”, como marca de terra, explanou Jorge Gonçalves.

A origem dos nomes ainda não foi aprofundada com este projecto, mas poderá ser um ponto “a explorar” no futuro, sublinhou Jorge Gonçalves, que falava aos jornalistas à margem da apresentação do mapa.

Para o investigador, esta iniciativa é uma homenagem “aos pescadores”, num projecto de transferência de conhecimento das comunidades piscatórias para a sociedade, em que o CCMar funcionou como “intermediário”.

“Muitas vezes, na academia somos vistos como estando num pedestal e afastados da comunidade. Não é o caso no CCMar, que tem uma ligação forte [com os pescadores] e que se tem vindo a estreitar e este é um dos melhores exemplos disso”, enfatizou.

De acordo com Jorge Gonçalves, o mapa vai estar disponível no site do centro de investigação, realçando que o mesmo poderá ter interesse “não apenas para a pesca, mas também para o mergulho ou para o turismo subaquático”.

Júlio Alhinho, pescador há 40 anos, congratulou-se com o trabalho realizado pelos investigadores, sublinhando que, se “os aldeamentos e os hotéis têm nome”, os mares também os devem ter sinalizados.

“Eu nem sequer sei o nome da minha rua, mas sei os nomes todos dos mares”, notou, enaltecendo o mapeamento feito dos nomes de sítios que para o mestre são como “ruas” no oceano.

(Agência Lusa)

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