Um alerta de fim de estação

Um alerta de fim de estação

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Rui Cabrita – Tavira

Uma das alavancas da nossa sustentabilidade económica tem tido notória expressão na fixação do turista estrangeiro de terceira idade no nosso concelho.

A atractividade do Algarve tem sustentação, como é sobejamente conhecido, em múltiplos factores, mas este escalão etário valoriza especialmente, para além do extraordinário clima, a segurança, a facilidade de acesso aos serviços de saúde e as actividades culturais e de lazer.

Obviamente que estas matérias não dizem respeito em exclusivo aos turistas, constituindo a base da vivência de todos nós.

No campo da segurança (à parte as terceiro-mundista vias de comunicação) temos dos melhores indicadores e estamos bem estruturados. A nossa região tem neste importantíssimo factor uma reconhecida mais-valia que constitui um atractivo de peso.

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Dos serviços de saúde conhecem-se limitações e críticas, pelo que haverá que lhes dedicar muita especial atenção, atenuando as deficiências, qualificando as unidades existentes e, se possível, aumentando a oferta.

Nas estruturas de lazer/cultura… estamos mal, nomeadamente na nossa cidade.

Vislumbra-se, ao fundo do túnel, uma recuperação do Cine-Teatro António Pinheiro, que a roda do tempo está a arrastar para as calendas. A atribuição de instalações degradadas à “Armação do Artista” não prefiguram a sua utilização num horizonte temporal de curto ou médio prazo por não terem condições mínimas para as actividades da Associação.

Perspectivam-se assim tempos de continuação da “vacuosidade” das condições para o desenvolvimento de actividades criativas ou culturais com qualidade e dimensão.

Então o que resta?

Restam as igrejas e alguns espaços adaptados, em que as exigências de qualidade e as condições de conforto e de exigências técnicas se situam abaixo dos mínimos. Para eventos específicos dispõe-se da Biblioteca Álvaro de Campos, onde, com muita frequência e mercê do esforçado empenho da sua direcção e colaboradores se realizam inúmeros actos de índole cultural, para públicos limitados. O Museu Municipal desenvolve a sua acção na sua área específica, sendo apreciável o desempenho do serviço educativo na área da divulgação patrimonial. Dá-se ainda nota do nosso “elefante branco”, sito no chamado parque das feiras, duma inutilidade gritante.

É porém notória a falta de estruturas com capacidade para a realização de espectáculos e sessões de âmbito alargado, com adequadas condições técnicas e com a inerente exigência de comodidade e conforto.

Face a este panorama de limitações, é condicionada a iniciativa e a oferta da “produção” cultural a que este escrito se refere, acabando assim por ser cerceada a criatividade.

Por muito apreciadas e intensamente frequentadas que sejam as programações turísticas de entretenimento e diversão que acontecem no Verão, não as podemos sublimar e menosprezar as restrições existentes e que aqui se afloram, sob pena de não cumprimos o nosso desígnio de zona turística de eleição e de fixação de turistas diferenciados.

E é assim que, fechando o ciclo das bases fundamentais de sustentação da atractividade do nosso Algarve com que iniciámos estas linhas, nos custa referir a não existência em Tavira de adequadas estruturas de lazer e de realização de eventos culturais, essenciais para a nossa tão apreciada qualidade de vida e de capital importância para a nossa tão desejada sustentabilidade.

Haverá soluções?

Uma vez mais vem a terreiro a eventual disponibilidade do agora desactivado “Quartel da Atalaia” para, a par de outras utilizações entendidas como apropriadas, dotar a cidade de espaços adequados à realização de eventos culturais e das artes em geral, diligenciando-se a sua afetação ao município (v. artigo de opinião publicado no “Postal” em 8 de Agosto 2016).

Já aqui o dissemos e repetimos – esta é uma oportunidade única para qualificar Tavira.

Assim o queiram os Tavirenses e o entendam os poderes constituídos.

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