ARS Algarve garante que ‘ambulatório do CMR Sul nunca esteve fechado’

ARS Algarve garante que ‘ambulatório do CMR Sul nunca esteve fechado’

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A gestão do Centro de Medicina e Reabilitação do Sul é da responsabilidade da ARS Algarve

“O serviço de ambulatório do Centro de Medicina e Reabilitação (CMR) do Sul nunca esteve nem estará fechado”. A garantia é do presidente do conselho directivo da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, João Moura Reis, que afirma que o serviço está apenas a “funcionar de uma forma mais diminuta”, desmentindo desta forma “uma série de boatos que tem sido veiculada”.

Esta manifestação surge após notícia avançada pelo jornal Público esta segunda-feira, dando conta de que o serviço de ambulatório do CMR Sul continuava “encerrado desde o dia 14 (de Setembro)”.

Citado em comunicado emitido pela ARS Algarve esta segunda-feira, o presidente do conselho directivo diz estar a aguardar a autorização por parte do Ministério das Finanças para a contratação de mais médicos no sentido de “completar o quadro de profissionais”, esperando-se ainda a “autorização por parte da Ordem dos Médicos” para iniciar estágios em 2017 na unidade situada em São Brás de Alportel.

Em declarações ao POSTAL, João Moura Reis desvaloriza o facto de estarem a ser utilizadas, neste momento, apenas 43 das 54 camas disponíveis na unidade por falta de profissionais, depois de a situação se ter agravado pela recente saída de um médico após pedido de exoneração.

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Para Vítor Guerreiro, presidente da autarquia são-brasense, “a maior causa da perda de profissionais é a incerteza que existe para o futuro do Centro”, aponta. O autarca – que tem, a seu pedido, reunião marcada para a tarde desta quinta-feira com o ministro da saúde, em Lisboa, a fim de “encontrar soluções e um modelo de gestão adequado” -, tem vindo a manifestar a sua preocupação em relação ao funcionamento do CMR Sul, desde que a unidade passou a estar sob tutela da ARS Algarve, em 2013, alegando que os serviços têm vindo a “perder capacidade de resposta”.

Ainda assim, Vítor Guerreiro ressalva o “atendimento de excelência” e os “resultados óptimos” que a unidade mantém. “A diferença é que diminuíram na quantidade para não perder na qualidade”, diz o presidente, acrescentando que esta foi uma opção da directora clínica do CMR Sul. Contactada pelo POSTAL, Arminda Lopes não quis falar sobre o assunto e remeteu declarações para João Moura Reis.

O presidente do concelho directivo da ARS Algarve adianta que da saída do último médico resultou a perda de mais cinco camas do serviço de ambulatório e que, apesar de o serviço não se destinar a casos “urgentes e emergentes” e de não ser a “função principal” do Centro, “este constrangimento pode já acabar amanhã”.

A ARS está a diligenciar no sentido de “arranjar o mais rapidamente possível” profissionais de saúde e “à espera da capacidade de angariar dois médicos” para a CMR, afirma João Moura Reis. “Se houvesse um médico a substituir o que saiu era muito bom mas não queremos ficar só por aí, queremos trabalhar em pleno”, garante.

Deputado do Bloco de Esquerda visita instalações

Na sequência da visita, o grupo parlamentar questionou o Ministério da Saúde

No sentido de apurar a qualidade dos serviços da CMR Sul, João Vasconcelos, deputado da Assembleia da República do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda (BE), visitou, esta segunda-feira, dia 26 de Setembro, as instalações da unidade de saúde. Nuno Viana, membro da comissão coordenadora distrital do BE, acompanhou a visita e, ao POSTAL, afirmou que, no momento da visita, o serviço de ambulatório estava a funcionar. Disse ainda ter ficado “agradado” com “o bom funcionamento e a qualidade dos serviços”, apesar da “falta de médicos, técnicos e outros profissionais”.

Na sequência da visita do BE ao CMR Sul, o grupo parlamentar endereçou formalmente uma série de perguntas ao Ministério da Saúde, que deram entrada na Assembleia da República esta terça-feira. Entre os tópicos abordados, o BE pergunta ao Governo “que medidas urgentes vão ser implementadas para fazer face às dificuldades” e “que medidas estão a ser desencadeadas para contratar os profissionais em falta”.

De referir que a Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL) aprovou no dia 15 de Setembro, por unanimidade, uma moção em defesa de um entendimento “urgente”, “com vista a resolver os constrangimentos que diariamente afectam o funcionamento e desempenho” do CMR Sul.

“Utentes com elevado grau de satisfação”

No mesmo dia em que o Bloco de Esquerda visitou o CMR Sul, a ARS Algarve emitiu um comunicado na sua página da internet, onde refere que “o nível de satisfação global dos utentes do Centro de Medicina Física e Reabilitação do Sul alcançou 94% no primeiro semestre deste ano, com os valores mais elevados de satisfação a serem registados na valência de Internamento”, de acordo com os Resultados da Avaliação da Satisfação dos Utentes (uSPEQ – Inquérito de Satisfação de Utentes), baseados na realização de 97 questionários a utentes da unidade, entre Janeiro e Junho de 2016.

O CMR Sul iniciou a sua actividade em Abril de 2007 e é uma unidade especializada da rede de referenciação hospitalar de medicina física e de reabilitação do Serviço Nacional de Saúde.

(Com Henrique Dias Freire)

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