Língua, viagens e ‘sonho’ europeu atraem alunos brasileiros ao Algarve

Língua, viagens e ‘sonho’ europeu atraem alunos brasileiros ao Algarve

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Segundo António Branco, a expectativa é conseguir continuar a aumentar o contingente de estudantes brasileiros

A facilidade na língua, viajar e a perspectiva de arranjar emprego mais facilmente no mercado europeu está a atrair centenas de estudantes brasileiros à Universidade do Algarve (UAlg), que representam já a maioria dos alunos estrangeiros naquela academia.

Neste ano lectivo, matricularam-se na instituição para fazer uma licenciatura ou mestrado integrado 200 estudantes brasileiros, quadruplicando o número de alunos que, no ano passado, tinham escolhido a UAlg para fazer um ciclo completo de estudos, já que o total de estudantes brasileiros naquela universidade ascende a cerca de 500.

Em declarações à agência Lusa, o reitor da UAlg, António Branco, considerou que existe uma “dupla vantagem” para os alunos brasileiros que escolhem Portugal para estudar: não só a oportunidade de entrarem em território europeu, como pelo facto de poderem tirar um curso pelo mesmo preço, ou até menos, do que pagariam numa universidade privada no Brasil.

“Falei com alguns estudantes que me disseram que, feitas as contas, era menos oneroso estar aqui a estudar em Faro do que no Brasil, fora de uma universidade pública”, referiu, observando que, em média, mais de seis milhões de candidatos no Brasil não conseguem obter vaga no ensino superior público.

Segundo António Branco, a expectativa é conseguir continuar a aumentar o contingente de estudantes brasileiros e, no espaço de três a quatro anos, ultrapassar os mil alunos do Brasil a frequentarem a Universidade do Algarve em “full time”, ou seja, fazendo um ciclo completo de estudos.

Desde 2015 que a UAlg recebe alunos para frequentar integralmente ciclos de estudo, altura em que aderiu ao Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) do sistema de ensino brasileiro, o que exclui a necessidade de fazer as provas de ingresso em Portugal.

Nas três fases de candidatura, mais de 1.500 candidatos brasileiros escolheram a academia algarvia, tendo sido selecionados 200, quadruplicando o número de alunos que se matricularam no ano anterior (50).

Com um apelido que denuncia a ascendência portuguesa, Glauber Magalhães foi um dos 50 alunos que ingressaram no ano passado na Universidade do Algarve, no seu caso, para se licenciar em Engenharia Informática.

A frequentar o segundo ano do curso, o estudante de 22 anos, natural de São Paulo e que nunca tinha saído do Brasil, diz que se “sente em casa”, mas que sentiu diferença no sistema de ensino, que considera ser mais exigente em Portugal.

“Talvez pela graduação ser um tempo menor [do que no Brasil], os professores correm muito com a matéria”, explica, sublinhando que “lá aplicam mais exercícios e menos teoria” e que ainda sente alguma dificuldade em acompanhar o ritmo das aulas.

Membro do núcleo de estudantes brasileiros, diz que conhece praticamente todos os compatriotas que frequentam a Universidade do Algarve e admite ficar por Portugal, se tiver alguma oferta de emprego.

Há cerca de um mês no Algarve, Camila Silveira, de 18 anos, escolheu Portugal para estudar Património Cultural e Arqueologia, não só porque “o diploma europeu pesa mais” na sua área, como pelo facto de ser mais fácil fazer trabalho de campo do que no Brasil.

“Seria complicado estudar a Idade Antiga e a Idade Média na Europa no Brasil”, refere, acrescentando que em Portugal pode participar ou assistir a escavações arqueológicas e que lá, na sua área, “praticamente não existe emprego”.

Tal como Camila, Andreia Fraga já tinha viajado por alguns países da Europa e não tem dúvidas de que quer ficar em Portugal, ou noutro país, descartando a possibilidade de, num futuro próximo, voltar para o Brasil.

“Se aqui está mau, lá está pior”, comenta a estudante de 23 anos, a frequentar o primeiro ano do curso de Psicologia, depois de, no Brasil, já ter estado dois anos em Relações Internacionais e dois anos em Nutrição.

Natural do Rio de Janeiro, a aluna, que chegou a Faro em Agosto e que antes de se candidatar nunca tinha sequer ouvido a palavra “Algarve”, considera que em Portugal a relação com os professores é mais próxima, embora a exigência também seja maior.

“Lá, o ensino é mais voltado para passar de ano e acabar a graduação e aqui a visão é mais para a frente, de fazer mestrado ou doutoramento, há mais exigência científica”, considera.

De acordo com o reitor da UAlg, se estes alunos se sentirem bem nesta universidade, “é natural que sejam embaixadores no seu país para outros possíveis candidatos”.

Este ano lectivo, a Ualg tem mais de 1.200 estudantes estrangeiros, o que totaliza 15% dos seus 8.000 alunos.

(Agência Lusa)

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