SOS Ria Formosa acusa Sebastião Teixeira de desrespeitar Ministério do Ambiente

SOS Ria Formosa acusa Sebastião Teixeira de desrespeitar Ministério do Ambiente

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“Face aos acontecimentos dos últimos dias vimos por este meio repor os factos reais”, é desta forma que tem início um longo comunicado enviado pelo SOS Ria Formosa às redacções durante a tarde deste domingo.

No documento, o movimento afirma que a carta de demissão – do cargo de presidente da Sociedade Polis Ria Formosa – de Sebastião Teixeira é “inacreditavelmente desrespeitosa”.

“Como pode o Presidente da APA Algarve, ter gerido durante anos uma Sociedade cujo capital maioritário pertencer ao Estado e cuja tutela depende do Ministério do Ambiente, acusar o seu superior hierárquico de o ter desautorizado e fazer acusações tão graves como as que fez?”, indaga o grupo.

“A nós parece-nos que esse presidente ainda em funções para o ministério do ambiente, está esquecido quem rege as suas linhas orientadoras. O Ex-Presidente da Sociedade Polis, apressa-se a acusar o Sr. Ministro de ir contra a decisão dos tribunais, mas não explica que não foram os processos que caíram, mas sim as providências cautelares que impedem as demolições”, continua.

Entre outras acusações o movimento afirma que o presidente demissionário fez um “levantamento incorrecto das situações humanas no terreno, não passando a informação concreta e real a quem de direito” e que “nunca se predispôs ao diálogo”.

Mas as críticas não se atingem apenas este dirigente, também o jornalista Idálio Revez, do jornal Público, é acusado pelo movimento de passar uma imagem errada das populações, nomeadamente do grupo, descrevendo-os como “ilegais”, lamenta o SOS Ria Formosa.

Leia abaixo o comunicado na íntegra.

“Face aos acontecimentos dos últimos dias vimos por este meio repor os factos reais.

A carta de demissão do ainda actual presidente da APA Algarve dirigida ao Sr. Ministro do Ambiente, é inacreditavelmente desrespeitosa e mais rápida que a própria luz, enviada para a comunicação social para parecer “bem”.

Como pode o Presidente da APA Algarve, ter gerido durante anos uma Sociedade cujo capital maioritário pertencer ao Estado e cuja tutela depende do Ministério do Ambiente, acusar o seu superior hierárquico de o ter desautorizado e fazer acusações tão graves como as que fez?

A nós parece-nos que esse presidente ainda em funções para o ministério do ambiente, está esquecido quem rege as suas linhas orientadoras. O Ex-Presidente da Sociedade Polis, apressa-se a acusar o Sr. Ministro de ir contra a decisão dos tribunais, mas não explica que não foram os processos que caíram, mas sim as providências cautelares que impedem as demolições.

Quem está a ser mais prudente? Quem quer demolir a todo o custo, ou quem quer evitar que sejam demolidas habitações a título fortuito correndo o sério risco de mais tarde os tribunais virem a ditar razão às pessoas?

Em todo este processo não seria responsabilidade do demissionário, como representante do governo, ouvir as populações? Não seria sua a responsabilidade de averiguar com coerência que as pessoas fazem parte do meio ambiente onde vivem?

A Sociedade Polis pela mão do Sr. Sebastião, esteve durante todo este tempo a fazer o que quis e bem entendeu a seu bel-prazer, levando a cabo um levantamento incorrecto das situações humanas no terreno, não passando a informação concreta e real a quem de direito. Tinha na sua posse a documentação da população há anos, a mesma documentação enviada agora para o Sr. Ministro e de onde conseguimos comprovar que nestes núcleos existem pescadores/viveiristas e primeiras habitações REAIS.

O Sr. Sebastião nunca se predispôs ao diálogo, nunca nós ou qualquer outra associação dos núcleos dos Hangares ou Farol, conseguiu uma reunião que por diversas vezes foram requisitadas. Face aos graves acontecimentos que o ex-presidente da Polis ia criando o Senhor Ministro do Ambiente, este, numa atitude de bom senso e transparência, decidiu entrar em contacto connosco, tento assim a coragem de não mais aceitar caprichos incoerentes, de não mais querer na sua equipa alguém cujo prato favorito era um “refugado de destruição” como aliás conseguiu fazer nos ilhotes e Praia de Faro.

O movimento SOS teve a oportunidade, de pela primeira vez, ser ouvido. É certo que ainda subsistem alguns pontos de discórdia, no entanto, o Senhor Ministro percebeu que não somos tão facciosos ao ponto de pensarmos que está tudo bem e que nada precisa ser mudado, tendo nós a consciência que efectivamente é necessário haver uma requalificação.

No dia 27 de Outubro de 2016 fomos finalmente reconhecidos como Núcleos Históricos. É uma conquista pela qual lutamos há décadas e que finalmente chegou. Por mais que isso custe a alguns, é já uma realidade e nem tsunamis, nem decisões administrativas ou até mesmo questões de fundos europeus vão alterar este facto. Esta é uma decisão política, esta é uma decisão justa e por isso o caminho só se poderá encarar como promissor.

Rever o POOC e colocar na lei este reconhecimento agora aprovado por maioria, será um dos nossos grandes objectivos. Continuar o diálogo com as populações e fazer uma discussão séria sobre os verdadeiros problemas da região, são os nossos desejos para o futuro. Remando para o mesmo lado podemos concretizar melhorias muito significativas para a Ria Formosa e para as suas populações. Por isso nos congratulamos também com o avanço das decisões já tomadas, como a construção da ponte para a Praia de Faro, do cais da ilha de Tavira, do plano de praia do Ancão e do parque ribeirinho de Olhão.

Deixamos assim este desejo e também o nosso sincero agradecimento pelo empenho, capacidade de diálogo e o pelo cumprir da palavra dada pelo Sr. Ministro Matos Fernandes. As políticas são feitas das pessoas para as pessoas. O sentido de Justiça impera e em nada nos podemos queixar da atitude e compromissos assumidos pelo Senhor Ministro, que com a sua análise séria e eficiente, mais não fez do que desmascarar os que se dizem defensores do ambiente.

Resta-nos aguardar pela nova cara que irá ocupar o cargo de Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente no Algarve (APA) e consequentemente da Sociedade Polis.

Sr. Ministro, pode contar com o nosso apoio e a nossa solidariedade contra todo o tipo de acusações radicais que em nada contribuem para o bem das regiões e das suas populações.

Terminamos, esclarecendo que é de lamentar que precisamente no dia a seguir a sermos considerados Núcleos Históricos, saí uma notícia no Jornal Público (se é que a podemos descrever assim) a que nos voltam a descrever como “ilegais”. De “reportagens” destas já estamos habituados pois resultam sempre numa tentativa fútil de passar a ferro os ilhéus… em todas elas a população parece ficar mal vista perante a opinião pública. Associar a problemática das ilhas e a sua defesa ao Presidente da Câmara Municipal de Olhão que tem defendido mais de 600 famílias, como se só estivesse a defender a dele, demonstra uma insensibilidade tão grande que se iguala ao desrespeito com que sempre este processo foi conduzido pela Sociedade Polis. Pois bem, deixamos aqui o conselho de que o que se encomenda são os bolos não as notícias, portanto ao Sr. Idálio Revez do dito Jornal e ao Presidente da APA, parece apropriado noticiar o seguinte: “Integridade sem conhecimento é fraca e inútil, mas conhecimento sem integridade é perigoso e horrível” – Samuel Johnson.”

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