Arqueologia: Lagos internacionaliza Monte Molião

Arqueologia: Lagos internacionaliza Monte Molião

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Origem histórica e toponímica da cidade de Lagos remonta a este sítio arqueológico

O Projecto Molião foi recentemente convidado para integrar um projecto I+D+i (Investigação, Desenvolvimento e inovação), que grega outras estações arqueológicas cronologicamente semelhantes e que é liderado por Juan Blánquez Pérez, professor catedrático de Arqueologia da Universidade Autónoma de Madrid (UAM).

O projecto I+D+i visa a investigação das técnicas construtivas, no intuito de definir quais as que se mantêm ao longo da ocupação de Monte Molião e quais as que marcam os momentos de transição (pré-romano, república, império e baixo império).

Pretende-se, através desta pesquisa, caracterizar a cultura arquitetónica como base para o conhecimento dos sítio arqueológicos a valorizar, afinando procedimentos na área da conservação e restauro que respeitem e afirmem essas diferenças cronológicas e justifiquem soluções a adoptar de modo geral em outras estações arqueológicas destas cronologias.

Na sessão pública da estratégia de internacionalização do Projecto Molião, Ana Arruda professora do UNIARQ, Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa, afirmou que “ainda há toda uma cidade por descobrir”, aproveitando para deixar a sugestão ao município respeitante à Musealização das Ruínas e criação de um Centro Interpretativo.

Recorde-se que o sítio arqueológico do Monte Molião corresponde à antiga Lacobriga sendo, por essa razão, considerado um ex-libris da cidade de Lagos, que ali tem a sua origem histórica e toponímica. Desde 2006 que o município de Lagos estabeleceu uma parceria de cooperação científica com a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e com o seu centro de investigação, para desenvolver um programa de investigações arqueológicas no Monte Molião, promovendo o conhecimento do sítio e tendo em vista o ulterior desenvolvimento de um programa municipal para a sua salvaguarda, valorização e divulgação.

Os trabalhos de investigação desenvolvidos pela professora Ana Margarida Arruda (UNIARQ) e pela equipa que dirige permitem compreender a orgânica e a transformação ao longo de vários séculos daquilo que foi o primeiro núcleo urbano de Lagos.

O Projecto Molião implica a progressiva escavação do sítio e o estudo das estruturas domésticas e industriais preservadas e dos espólios associados, tendo já permitido definir a sequência de ocupação do sítio entre o século IV a.C. e o século II d.C., esclarecer as relações comerciais com outros lugares do mundo púnico e romano, vislumbrar o modo de vida dos seus habitantes e pôs a descoberto arruamentos, casas e áreas de produção, cujo grau de preservação permitiu preparar o sítio para visita.

Para a presidente da autarquia, “a participação do Projecto Molião no projeto I+D+i contribuirá, de forma decisiva, para a definição das opções museográficas a considerar no projecto de valorização do sítio arqueológico”.

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