Conservar vestígios romanos de Balsa é compatível com agricultura, dizem técnicos

Conservar vestígios romanos de Balsa é compatível com agricultura, dizem técnicos

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A zona em causa é uma área de cerca de 15 hectares, localizada na freguesia de Luz de Tavira (Créditos: fotografias aéreas de Lúcio Alves, 1996)

A equipa de arqueologia responsável pelos trabalhos de diagnóstico na zona onde se supõe estarem vestígios da cidade romana de Balsa, na Luz de Tavira, considera possível salvaguardar o património e fazer exploração agrícola.

Segundo a agência Lusa, na Quinta da Torre D’Aires, onde se localizam os vestígios classificados da estação arqueológica romana da Luz – Balsa, no concelho de Tavira, técnicos estão a trabalhar no terreno para perceber se há vestígios que impeçam a empresa privada proprietária de montar estufas para fazer produção de frutos vermelhos.

A Lusexport viu a instalação das estufas ser embargada em 2015 pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve e foi instada por um parecer da Direcção Regional de Cultura a realizar trabalhos arqueológicos para perceber até que ponto os vestígios podiam ser impeditivos dessa actividade agrícola, que durante cerca de um século se realizou no local sem qualquer preocupação com o património arqueológico.

Tiago Fraga, director da Archaeofactory, empresa contratada pela Lusexport para os trabalhos de arqueologia, explicou à Lusa que, até ao momento, foi sondado o terreno para detectar vestígios e os resultados preliminares revelaram a existência de uma área onde há estruturas enterradas.

“Os resultados iniciais e preliminares do trabalho indicam que existem indícios de estruturas coesas significativas em parte da Torre D’Aires e existem outras estruturas indeterminadas, de alto interesse científico, que temos de efectuar sondagens de diagnóstico para determinar e caracterizar”, afirmou o técnico, frisando que podem corresponder a estruturas da época romana, mas podem também ser “anteriores ou posteriores”.

Tiago Fraga disse que, “na zona ao pé da quinta, presume-se que haja estruturas ou urbanas ou industriais”, enquanto na zona mais longe da quinta e perto da ria Formosa pode haver “estruturas portuárias ou que tenham a ver com o transporte de água”, mas isso “só se confirmará, ou não”, na segunda fase dos trabalhos, prevista para o início do próximo ano.

O técnico disse, ainda, que há uma zona onde “já está autorizada a instalação das estufas” e que a profundidade a que são instalados os pés das estufas “não causa qualquer impacto negativo no património”, faltando determinar se noutra, onde estão detectadas estruturas a profundidades entre os 55 centímetros e 1,2 metros, “é possível ou não colocar as patas das estufas, que só vão até 45 centímetros”.

Tiago Dores, coordenador do projecto, realçou à Lusa que a empresa quer avançar com a exploração agrícola e “tem vindo a cumprir todos os requisitos legais”, demonstrando “preocupações quer a nível ambiental quer a nível de conservação do património”.

“Tudo está a ser feito de forma a que se possa manter a actividade agrícola com o mínimo de impactos e com a maior valorização e salvaguarda do património existente”, afirmou Tiago Dores.

O técnico assegurou, ainda, que os trabalhos estão a ser realizados pela Archaeofactory com a colaboração de, “provavelmente, a melhor equipa nacional para fazer este projecto”, ao contar com “o professor doutor João Bernardes, da Universidade do Algarve, responsável pela parte de investigação de arqueologia romana, e o professor doutor Vasco Mantas, da Universidade de Coimbra, um dos principais investigadores nacionais da arqueologia romana e um dos especialistas na náutica romana”.

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