Tavira fenícia, árabe, portuguesa; a cidade e a água – 1

Tavira fenícia, árabe, portuguesa; a cidade e a água – 1

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Beja Santos *
Beja Santos *

Tavira é sede de um concelho em que 80% da sua área é constituída por serra e barrocal. Daqui dá-se a imagem do rio Gilão que liga com o rio Séqua, esta ponte terá origem árabe com todas as modificações do costume. O litoral tem uma frente de mar de 18 quilómetros, são praias situadas em pleno Parque Natural da Ria Formosa, uma jóia ambiental. Cidade cheia de história, temos aqui indícios da presença fenícia, a escassos quilómetros está situada Balsa, há arqueólogos que dizem que era maior que Conímbriga, a ocupação muçulmana deixou imensas marcas no urbanismo da cidade. Tavira era no século XVI o principal porto comercial e centro populacional do Algarve. Regressados da conquista de Ceuta, D. João I armou aqui os seus filhos cavaleiros.

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Estamos agora no núcleo islâmico do Museu Municipal de Tavira, aberto ao público em 2012, este espaço foi construído no local onde em 1996 se encontrou o famoso vaso de Tavira e um troço da muralha islâmica.

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O vaso de Tavira data do século XI, tem uma exuberante decoração com a representação anatómica da figura humana e de animais. Vemos uma figura feminina com a cara descoberta, hábito que é atribuído às mulheres do Al-Andalus, vemos igualmente um peão manejando uma besta; o bordo é vazado, assim como a “torre” ou funil e algumas figuras zoomórficas. Em Valência são conhecidos vasos aparentados mas sem a decoração naturalista que caracteriza este exemplar. Muitos museus famosos disputariam.

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Indício seguro da presença árabe no Algarve, é um simples guardanapo de jardim, ao passar por aqui o viandante, sabe-se lá porquê, lembrou-se de Córdova, mas Tavira está cheia de jardins, dos quais o mais famoso está na colina de Santa Maria, a colina da fundação, bem encravado entre a Tavira fenícia, almóada e medieval, não se vai a Tavira sem cheirar os odores que se espalham entre muralhas.  

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O viandante procurou munir-se de elementos sobre a Tavira arqueológica, já visitou o núcleo islâmico, segue agora para o Convento da Graça, onde está instalada uma pousada, vai visitar o que resta de um bairro almóada (fins do século XII princípios do século XIII), estes vestígios apareceram durante as obra de adaptação do antigo Convento da Graça, é um encanto visitar este pequeno núcleo de exposição. No Palácio da Galeria, o melhor edifício da arquitectura civil da cidade situa-se o museu municipal e logo à entrada podemos ver os poços rituais fenícios. Há também muralha fenícia. Esta imagem dá-nos uma visão do gótico, da Ordem de Santiago, quando os conquistadores cristãos consolidaram a sua presença civil, militar e religiosa. Tudo vai culminar com a arte manuelina, no auge do esplendor tavirense.

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Na deambulação pelo centro histórico de Tavira há vestígios arquitectónicos góticos, portas antigas de arco quebrado, com sucessivas alterações, há reminiscências de mesquitas, caminhos antigos, avista-se a torre albarrã que vem do período almóada e as muralhas islâmicas de Tavira, com é evidente cruzam-se estilos no confronto das épocas, o que torna a viagem ainda mais aliciante: de que época é esta janela, esta porta, esta torre? E a vista deste pormenor de Tavira fala inequivocamente do passado árabe, é uma inconfundível organização do espaço, é uma evidência do legado islâmico.

(Continua)

* Assessor do Instituto de Defesa do Consumidor e consultor do POSTAL

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