Lagarta do pinheiro é ‘problema de saúde pública’ em Lagoa

Lagarta do pinheiro é ‘problema de saúde pública’ em Lagoa

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A lagarta do pinheiro é o principal insecto desfolhador dos pinheiros em Portugal
A lagarta do pinheiro é o principal insecto desfolhador dos pinheiros em Portugal

A Câmara de Lagoa conclui este fim-de-semana o abate de 12 pinheiros atingidos pela lagarta do pinheiro, que reapareceu nas árvores das escolas do concelho na passada semana.

A habitual desinfestação levada a cabo pela autarquia nesta altura do ano, desta vez, não resultou e chegou mesmo a afectar 14 crianças da E.B 1 de Ferragudo, 10 da E.B 2,3 Jacinto Correia e 12 devido a um episódio ocorrido numa residência vizinha à Escola de Carvoeiro.

“As lagartas são um problema de saúde pública que libertam pêlos urticantes que se espalham pelo ar e que podem causar reacções alérgicas, o que se agrava nas pessoas que já têm problemas de alergias”, alerta Rui Lourenço, antigo presidente da ARS Algarve e docente na Universidade do Algarve.

“Este ano a lagarta surgiu como nunca tinha surgido nos anos anteriores. Não sei se por questões ambientais ou meteorológicas mas desta feita o problema revelou-se muito mais agudo”, disse ao POSTAL Luís Encarnação, vereador da autarquia lagoense, que adianta que, ainda assim, “não houve nenhum caso grave, apenas algumas crianças com reacções alérgicas mais agudas e problemas de asma, que necessitaram de um acompanhamento mais próximo”.

“As crianças devem manter-se afastadas dos pinheiros”
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Olhos avermelhados e inchados, dificuldades respiratórias e comichões são os principais sintomas da alergia causada pelo insecto. “As crianças devem manter-se afastados dos pinheiros nesta época do ano e as pessoas que residem em zonas em que haja mais envolvimento das lagartas devem ter preocupações com a roupa, que deve ser lavada a alta temperatura”, aconselha Rui Lourenço.

O abate dos pinheiros em Lagoa – na ordem dos cinco mil euros, um valor inferior à consequente substituição da arborização, que custará ao município entre sete mil a oito mil euros –, realça o vereador, “vem na sequência da recente legislação que proíbe que sejam aplicados fitossanitários em árvores em equipamentos públicos”. “Assim, não temos outra solução senão proceder à substituição das árvores, por outras de raiz aprumada e de copa larga”, continua Luís Encarnação.

A Câmara de Lagoa, adianta o responsável, já recebeu, inclusive, pedidos de ajuda de escolas do concelho que não estão sob dependência directa da autarquia, que está a “avaliar a situação” e equaciona, caso surja um pedido formal, proceder ao abate dos pinheiros em todas as escolas do concelho.

Trezentas e vinte árvores substituem 12 pinheiros

Em Março, na “Semana Verde”, serão levadas a cabo acções de replantação, através do projecto “Green Cork” do município, que recebeu a oferta de 320 árvores autóctones de 10 diferentes espécies, entre alfarrobeiras, ciprestes, freixos, pinheiros mansos, medronheiros, catapereiros, carvalhos de Monchique ou sobreiros, que servirão para substituir os pinheiros removidos.

(Com Henrique Dias Freire)

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