Caos no aeroporto mantém-se em época alta (com fotogaleria)

Caos no aeroporto mantém-se em época alta (com fotogaleria)

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É verdade que para alguns dos turistas que nos visitam, o nevoeiro – o mais que britânico fog – é uma presença comum, mas daí a presumir que quando vêm para Portugal os nossos desejados turistas britânicos, ou quaisquer outros , pretendem sentir-se em casa com o nevoeiro de pó que existe dentro da gare do Aeroporto de Faro é um exagero.

As obras inicialmente previstas para terminarem em Março deste ano, como confirmam vários documentos de programação dos trabalhos, foram entretanto em Janeiro dadas como adiadas quanto ao seu termo para “Junho ou Julho”, “antes do Verão”, disse o titular do Governo no Ministério das Infraestruturas.

Certo é que com as coisas a aquecerem no que respeita ao número de turistas utilizadores do aeroporto, que se prevê chegue este ano aos oito milhões de passageiros, o caos do terminal é tudo menos convidativo naquela que é a principal porta de entrada da região para o turismo.

Todos consideram as obras necessárias e incontornáveis
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Desidério Silva diz que apesar das dificuldades que as obras acarretam estas são absolutamente necessárias

O POSTAL falou com Desidério Silva, presidente do Turismo do Algarve, com Carlos Luís, presidente da Associação de Turismo do Algarve, Jorge Botelho, presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), e com Elidérico Viegas, presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), e todos são unânimes em considerar as obras um mal necessário, face à necessidade imperativa de capacitar o Aeroporto de Faro para a procura crescente actual e previsível nos próximos anos.

Da mesma forma, todos destacam o investimento do Governo na infra-estrutura e a dificuldade em articular a intervenção no terminal com a manutenção da operação aeroportuária em Faro.

Não discordando necessariamente, a questão está em saber se o ‘escorregão’ do prazo inicial se justificava e justifica e se nada mais se poderia fazer para evitar o cenário que existe no aeroporto.

Poeira infindável nas Partidas
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Passageiros que se deslocam entre a zona de check-in e a zona de alfândega aguardam a passagem de um dumper entre o exterior e a zona internacional do aeroporto. A segurança é garantida por um trabalhador que desempenha funções típicas de um controlador de passagem de nível colocando e retirando uma correia para evitar acidentes

Poeira infindável, uma zona de check-in caótica, passageiros que atravessam a totalidade da gare, actualmente com dois pisos, para poderem – depois de entregar as malas  no check-in – chegar à zona de controlo alfandegário, percursos mal sinalizados dentro da nova gare e interrompidos por atravessamento de veículos de obras que a todo o momento cruzam o único acesso entre a zona de check-in e a zona central do terminal é o cenário das partidas.

Chegadas em tenda a lembrar aeródromos de má memória
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As chegadas são numa tenda onde os profissionais que aguardam os turistas e quem espera os viajantes se amontoam em especial em horas de maior fluxo. Felizmente o espaço tem ar condicionado

E quando se descreve assim a situação de um ar irrespirável nas partidas, não nos devemos esquecer das chegadas, remetidas a uma tenda onde, após o controlo alfandegário, se amontoam os profissionais  que recebem os turistas e onde estes parecem desgovernados na procura de algum sentido para o terminal improvisado.

Cá fora sim, depois de atravessarmos a placa fronteira à aerogare e os célebres curbsides, todo o aeroporto está arranjado com fileiras de ondulantes sombreamentos para os afortunados turistas que chegaram à terra do sol.

Trabalhadores queixam-se das condições de trabalho sob anonimato

É pedindo anonimato que os trabalhadores do aeroporto com que o POSTAL falou dizem que as condições de trabalho são “péssimas” e que “as pessoas que passam para o lado internacional da gare é que têm noção da dimensão dos trabalhos e do caos total em que o aeroporto está”.

“Não temos condições nenhumas, o ar não se pode respirar de tanto pó, está tudo sujo, fora os sítios, não há lugar para nada para quem está a trabalhar dia-a-dia neste estaleiro” afirmou ao POSTAL um trabalhador.

Já uma trabalhadora sublinha “o ruído incessante das máquinas e dos trabalhos que cobrem toda a área da gare. Tem sido desde há meses um verdadeiro inferno e ninguém liga ao que passamos aqui e ao facto de termos de estar calados porque dependemos do trabalho para viver”.

Remetido para os serviços de Relações Públicas da ANA – Aeroportos de Portugal pelos serviços de comunicação do Aeroporto de Faro, o POSTAL tentou contactar o responsável pela área na sede da ANA, bem como o próprio departamento de Relações Públicas que não estiveram disponíveis para esclarecimentos em tempo útil.

Para já, sabe-se que pelo menos até Junho ou Julho – estamos em Abril – as obras continuarão a causar estragos em nome de um bem maior, a capacitação do aeroporto em termos de terminal.

Mas resta saber o que se fará com um terminal com capacidade para acolher cerca de 12 milhões de passageiros por ano quando o grande problema de futuro do aeroporto é o da inexistência de lugares para estacionar aviões em quantidade suficiente durante as épocas de maior afluência de turistas.

Ainda que nesta intervenção de requalificação do aeroporto a capacidade em número de movimentos por hora tenha sido reforçada, a verdade é que o Aeroporto de Faro, com  a sua localização tem um futuro a prazo certo.