IKEA ou a capacidade do Algarve para atrair investimento

IKEA ou a capacidade do Algarve para atrair investimento

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Carlos Baía *
A OPINIÃO de CARLOS BAÍA
Licenciado e Mestre em Ciências Económicas e Empresariais
cjbaia@hotmail.com
www.facebook.com/carlos.baia.184

Há cerca de dois meses tive oportunidade de escrever sobra a realização do primeiro encontro “Share Algarve”, evento dedicado ao sector das tecnologias de informação e comunicação em geral e do marketing digital em particular.

A esse respeito, concluí que o perfil da economia algarvia está a mudar, pois ao “tradicional” sector do turismo começam a juntar-se outros sectores.

Desta vez escrevo sobre a abertura da loja IKEA, em Loulé, na passada semana, e de como a abertura desta grande superfície na região é também um sinal de mudança e de cada vez maior dinamismo da nossa economia regional.

Depois de vários avanços e alguns recuos no processo de instalação, de dúvidas quanto à localização do investimento, de várias providências cautelares, e outras peripécias, a obra fez-se e a abertura concretizou-se.

Polémicas à parte, goste-se mais ou menos do IKEA, é certo que esta abertura é um acontecimento importante para o Algarve. Não só pelo número de potenciais clientes que poderá atrair, mas também pela dinâmica acrescida que trará ao território onde se encontra instalado e, acima de tudo, pelo facto da marca IKEA com todo o “peso” que traz consigo, ter concretizado um investimento muito significativo no Algarve. Recorde-se que o valor indicado para o investimento, em todo o complexo comercial, é de 200 milhões de euros. Seguramente o maior, ou dos maiores, investimentos que a região já recebeu.

Não quero com este texto fazer a apologia à loja ou à marca, mas IKEA é hoje uma marca forte no mundo. Trata-se de uma multinacional presente nos cinco continentes.

De acordo com um relatório da marca, disponível online, vendeu, em 2016, 36,4 biliões de euros. Dispõe de 389 lojas, em 48 países e emprega mais de 180.000 trabalhadores.

O Algarve é, cada vez mais, uma região apetecível para investir, para fazer negócios, que passou a estar presente no radar dos grandes investidores, nacionais e internacionais, e só por essa razão se pode justificar o interesse de uma empresa com este perfil pela nossa região.

As grandes multinacionais observam-se e acompanham-se, pelo que este investimento pode ter um efeito multiplicador e chamar a atenção de outras para o Algarve, criando capacidade para atrair mais investimento, em várias áreas de negócios.

Por tudo isto, creio que a abertura de uma loja em Loulé poderá ter sido para o IKEA apenas a abertura de mais uma loja do seu universo, mas para o Algarve trata-se de mais um importante passo no caminho da diversificação da sua economia, do reforço internacional da notoriedade da marca “Algarve” e da instalação de novos grandes investimentos, por parte empresas de reconhecida notoriedade. A região tem condições para dar cartas em muitas áreas e sectores como a hotelaria, animação, as tecnologias de informação e multimédia, entre outras…

Pela minha parte, não ficaria surpreendido se um dia destes ouvíssemos falamos em novos investimentos no Algarve, por parte de outras multinacionais.