Disparar, disparar, disparar, para criar imagens… ou não

Disparar, disparar, disparar, para criar imagens… ou não

969
PARTILHE
Vítor Azevedo Membro da ALFA - Associação Livre Fotógrafos do Algarve
Vítor Azevedo
Membro da ALFA – Associação Livre Fotógrafos do Algarve

Os objetivos de quem utiliza um instrumento que dispara para criar uma imagem e a imortalizar e as de quem utiliza um instrumento que dispara, fere e mata, inicialmente não são muito diferentes: o contacto com a natureza, o prazer e a adrenalina do encontro inesperado ou muito preparado, cara a cara, com a mais pequena ave ou o maior dos mamíferos, a necessidade de entender os seus hábitos para ser capaz de segui-lo, sem ser detetado, na máxima proximidade e na melhor posição.

Mas, o resultado final, o que provoca o imenso prazer de consumar o objetivo é bem diferente. No caso do artefacto que dispara para obter a imagem é essa memória que fica de um momento da vida e que fica com vida, do animal que fica imortalizado e continua vivo. No caso do artefacto que dispara, fere e mata é o prazer de obter um troféu, um corpo não imortalizado, morto, uma peça a menos no domínio da natureza.

alfa foto arte

Não pretendo julgar, esta é apenas uma opinião pessoal, uma maneira de estar na vida de quem tem na mão o objeto que dispara e cria uma imagem que, por acaso ou ironia, na maioria das vezes, até tem o nome de um artefacto bélico.

(Artigo publicado no Caderno de Artes Cultura.Sul)

Facebook Comments

Comentários no Facebook