Complementos alimentares: desconfie das promessas, fale com o seu médico, peça indicação...

Complementos alimentares: desconfie das promessas, fale com o seu médico, peça indicação farmacêutica

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A OPINIÃO de BEJA SANTOS; Assessor do Instituto de Defesa do Consumidor Consultor do POSTAL
A OPINIÃO de BEJA SANTOS;
Assessor do Instituto de Defesa do Consumidor;
Consultor do POSTAL

Nomeadamente em meio urbano, as lojas de produtos ditos naturais exibem produtos que se insinuam como medicamentos, que parecem combater a obesidade, dar energia, resolver os problemas da disfunção eréctil, que ajudam a um sono completo. Custa a crer como tudo isto se mostra sem nenhuma intervenção das autoridades, a generalidade desses produtos não é capaz de provar a sua eficácia, as suas alegações são enganosas para tudo quando se venda em pílulas, saquetas, frascos de líquidos à base de vitaminas, minerais ou plantas. As associações de consumidores não se cansam de chamar à atenção para esta grave desordem no mercado. Ainda recentemente, a Agência Nacional de Segurança Sanitária, de França, veio recomendar às mulheres que evitem a multiplicação de fontes de vitaminas e minerais fora da prescrição médica. Estes produtos para grávidas parecem ter uma especial saída em parafarmácia, farmácia e nas vendas online. A suplementação em vitaminas, minerais e oligoelementos está muito difundida nas mulheres em idade de procriar, há mesmo um estudo que mostra 75% de mulheres a consumi-las em grandes quantidades no último trimestre da gestação.

Tal consumo, que se faz de um modo geral sem nenhuma prescrição médica, não deixa de ter riscos para a saúde da criança. No quadro do dispositivo nacional de nutrivigilância está a ser alertada pelas autoridades de saúde devido a aparecimento de casos de hipercalcemia neonatal e de hipertiroidismo congénito. A agência sanitária foi avaliar os riscos associados à toma de complementos que contenham vitamina D, que entra na assimilação do cálcio ou do iodo, e é indispensável à síntese das hormonas tiroideias. Compete ao médico definir os casos de suplementação das grávidas, estas só devem tomar o que o médico prescreve, é o profissional de saúde que está em condições de avaliar as necessidades reais e tomar decisões adequadas no decurso da gravidez.

Aquela agência de saúde instituiu um dispositivo de nutrivigilância cujo objectivo é de vigiar a segurança dos complementos alimentares nas condições reais de utilização. O farmacêutico, quando solicitado para recomendar um medicamento não prescrito, tem que ter em atenção o estado e a terapêutica que o doente esteja a fazer. É que pode haver incompatibilidades entre medicamentos não prescritos e alguns destes produtos naturais. Cabe ao doente informar os medicamentos que toma (prescritos ou não prescritos) e ter em consideração que os produtos naturais ou mesmo os complementos, em conjunto com as substâncias presentes nos alimentos, aumentam a toxicidade. Nada é inofensivo: um chá verde, que contém cafeína, pode ter reacções adversas, como transtornos gastrointestinais e ansiedade. Não arrisque, siga a prescrição do médico e o conselho do seu farmacêutico antes de usar produtos naturais.

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