Docapesca desenvolve projecto para combater o lixo marinho

Docapesca desenvolve projecto para combater o lixo marinho

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lixo marinho
Projecto arrancou com 102 aderentes (embarcações, viveiristas e mariscadores)

A Docapesca está a desenvolver o projecto nacional ‘A Pesca por um mar sem lixo’, que pretende combater o lixo marinho, uma das principais ameaças à preservação dos recursos e ecossistemas marinhos. O projecto arrancou ontem, 21 de Agosto, na Culatra, com 102 aderentes (embarcações, viveiristas e mariscadores), um resultado substancialmente superior ao alcançado em Peniche, local onde foi lançado o projecto piloto desta iniciativa e que conta actualmente com 66 aderentes.

A iniciativa vem unir pescadores e portos na melhoria das condições ambientais da zona costeira e a Algar é parceira da iniciativa na região no Algarve, através da disponibilização de contentores de 120 litros ao Núcleo Piscatório da Ilha da Culatra, para a deposição dos resíduos recicláveis recolhidos no mar pelos pescadores (copos e sacos de plástico, pacotes de bebidas, latas e esferovite).

Fagar é responsável pelo transporte dos resíduos

Os resíduos recolhidos no mar ou produzidos nas embarcações são encaminhados para terra pelos pescadores, que os colocam nos contentores da Algar. A Fagar encarrega-se depois de fazer o transporte separadamente de todos os resíduos (recicláveis e não recicláveis) da ilha da Culatra para as instalações da Algar, onde recebem o tratamento adequado. A Docapesca pretende fazer monitorização trimestral junto dos pescadores para acompanhar a evolução e o grau de aderência à campanha. A Associação de Moradores da Culatra, a Associação Portuguesa de Lixo Marinho e a Câmara de Faro também participam no projecto.

A iniciativa está integrada num dos compromissos voluntários de Portugal assumido pelo Ministério do Mar no âmbito do Desenvolvimento Sustentável 14-Oceanos, que tem como propósitos: melhorar a gestão de resíduos a bordo das embarcações de pesca; sensibilizar e apoiar os pescadores na adopção de boas práticas ambientais da zona costeira portuguesa; preservar os ecossistemas marinhos; e promover a recolha dos resíduos gerados a bordo e capturados nas artes de pesca, disponibilizando infraestruturas adequadas para a sua recepção.

Ministra do Mar esteve presente na apresentação do projecto
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Lixo marinho é um problema social

A iniciativa contou com a presença da Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino; do secretário de estado das Pescas, José Apolinário; Miguel Lisboa, presidente da Algar; Teresa Coelho, presidente da Docapesca; Rogério Bacalhau, presidente da Câmara de Faro; Silvia Padinha, presidente da Associação de Moradores da Culatra; e Sofia Quarema, representante da Associação Portuguesa do Lixo Marinho; entre outras entidades locais.

Milhões de toneladas de lixo chegam aos oceanos todos os anos

A actividade piscatória é muito afectada pelos milhões de toneladas de lixo que todos os anos chegam aos oceanos, devido a danos nas artes de pesca e embarcações e à redução das capturas decorrentes da pesca-fantasma, em que as redes e armadilhas perdidas ou abandonadas levam ao contínuo aprisionamento e morte de peixes e outras espécies marinhas.

O lixo marinho é um problema social em que as decisões e os comportamentos individuais e dos diferentes sectores desempenham um papel crucial para a sua resolução. Este projecto vem actuar a dois níveis: na prevenção da entrada de lixo no meio marinho e na remoção do lixo marinho dos oceanos. A colaboração entre pescadores, respectivas embarcações e portos de pesca é importante para uma maior sensibilização ao nível das comunidades costeiras, piscatórias e promoção da consciencialização de todos aqueles que estão envolvidos directa ou indirectamente neste problema.

(Cátia Marcelino / Henrique Dias Freire)