‘Verão com Melão’: Uma visita guiada à Praia de Monte Gordo…

‘Verão com Melão’: Uma visita guiada à Praia de Monte Gordo…

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A OPINIÃO de FILIPE LARA RAMOS Nadador-salvador coordenador no Algarve veraocommelao@gmail.com
A OPINIÃO de FILIPE LARA RAMOS;
Nadador-salvador coordenador no Algarve;
veraocommelao@gmail.com

Iniciámos estas crónicas com os objectivos de apresentar as praias e os respectivos nadadores–salvadores. Hoje, a visita guiada vai ser pelo sotavento algarvio. Apresentamos a Praia de Monte Gordo, conhecida pela sua longa e larga extensão de areia. É uma praia marítima situada no concelho de Vila Real de Santo António. Falada como uma das principais  praias turísticas algarvias.

A Praia de Monte Gordo, configura uma ampla baía, de ambiente quente e seco. O mar é conhecido pela sua calmaria e transparência. Paralelamente à praia podem ver uma variada oferta hoteleira, comércio, restauração, casino e muita animação noturna durante a época balnear. No areal pode encontrar bares e esplanadas. O banhista pode também encontrar um amplo e organizado parque de estacionamento. A praia é classificada como praia acessível. Dispõe de vigilância, de equipamento de apoio e infraestruturas durante toda a época balnear. É uma praia com bandeira azul e inserida no programa Praia Saudável.

Jorge Ferreira, de 42 anos, nadador-salvador com 26 anos de experiência e Vernon Calvinho de 21 anos, nadador-salvador com três anos de experiência, ambos residentes em Vila Real de Santo António, formam a dupla da Unidade Balnear 3 (UB3) de Monte Gordo, conhecida pela concessão Contreiras.

cronica 13
Jorge Ferreira, na mota de salvamento, e Vernon Calvinho no seu posto de praia

Jorge Ferreira conta-nos que o episódio mais marcante nestes anos como nadador-salvador foi em 1997 no dia 16 de Agosto. Quando se dirigia para o trabalho, por volta das 7.30 da manhã, é alertado para responder a uma ocorrência a um senhor que se encontrava inconsciente junto à linha de água. Assim que se deparou com a situação, o nadador-salvador Jorge Ferreira pediu ajuda ao colega para lhe trazer a máscara de reanimação. Ao identificar a pessoa reconheceu-a como o senhor Jacinto, um banhista que todos os dias de manhã o cumprimentava e lhe perguntava o estado da maré quando chegava à praia. Era um banhista que todos os dias ia à praia para fazer um pouco de ginástica e nadar.

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Assim que iniciaram as manobras de reanimação, o senhor Jacinto começou a respirar após quatro a cinco minutos de compressões torácicas.

Jorge Ferreira relembra-nos que nessa altura não havia telemóveis. O seu colega nadador-salvador teve que ligar de um telefone fixo para a ambulância dos bombeiros locais.

O nadador-salvador Jorge Ferreira recorda-se deste momento como se fosse hoje. Passados alguns dias o senhor Jacinto, um homem de 74 anos, abordou-o e disse-lhe que a partir daquele momento iria celebrar dois aniversários. O dia do seu nascimento e o dia 16 de agosto.

No seguimento desta história, o nadador-salvador mais novo, Vernon Calvinho, relata-nos o seu momento mais marcante. Foi no ano passado em Agosto, onde um senhor que tinha a idade compreendida entre os 55 e os 60 teve uma paragem cardiorrespiratória. O senhor encontrava-se junto à arrebentação com a água pela cintura quando de repente caiu sem aparente causa. Retirámos o senhor dentro de água e transportámo-lo para a zona de segurança no areal. Iniciámos os procedimentos de SBV. Já não acreditavam na sua reanimação, dado o estado avançado da situação. Durante as manobras de reanimação o senhor deu sinais de vida, ou seja, começou a ventilar e a ter circulação. Segundo Vernon, “colocámos em Posição Lateral de Segurança (PLS) e aguardámos a chegada da ajuda especializada. No final o meu colega nadador-salvador e eu, juntamente com a ajuda de alguns médicos que se encontravam por perto a desfrutar da praia e da ajuda preciosa de alguns banhistas, ficámos com uma alegria imensa por termos conseguido em equipa salvar uma vida humana”.

Ao falar dos perigos desta praia, Jorge e Vernon, mencionam que: “os ventos mais frequentes são os de sudoeste que não provocam perigo. Os ventos mais perigosos desta praia são os ventos de sudeste a que nós chamamos de levante. Trazem ondulação grande e forte, provocam fundões, que mais tarde originam agueiros. Outro vento perigoso é o vento norte onde o mar está calmo mas empurra as embarcações e as bóias para dentro do mar. Torna-se perigoso quando alguém vai atrás dessas bóias e depois fica cansado e não consegue voltar”.

Ambos deixam alguns conselhos aos banhistas que frequentam esta praia e dizem que nunca é demais relembrar que se deve “evitar correr em direção ao mar e saltar de cabeça por cima das ondas, uma vez que a característica desta praia é termos água pelo joelho até muito longe da costa, evitando assim acidentes a nível da coluna vertebral. Devido à grande afluência de banhistas nesta praia, devem ter atenção às crianças que vos acompanham. Evitar mergulhar junto às algas porque é onde se escondem os animais marinhos, incluindo os ouriços-do-mar”.

Artigo publicado no âmbito da parceria entre o POSTAL e Filipe Lara Ramos ‘Verão com Melão’.

Esta rubrica destina-se a sensibilizar a população e fomentar a segurança nas praias durante a época balnear de 2017.

(NOTA: Os conselhos e indicações expressos neste artigo não dispensam o cumprimento pelos leitores das regras gerais de segurança nas praias e as indicações das autoridades competentes em cada zona balnear).

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