Baixar a abstenção: entre a gestão e a tolice

Baixar a abstenção: entre a gestão e a tolice

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A OPINIÃO de JOSÉ GONÇALVES VIANA Ex-secretário de Estado das Pescas
A OPINIÃO de JOSÉ GONÇALVES VIANA
Ex-secretário de Estado das Pescas

Desde sempre fui ouvindo que quem trabalhava no sector privado em que a eficiência era premiada produzia, que quem trabalhava no Estado porque aí não havia essa motivação. Além de outras diferenças.

É um facto incontestável que a abstenção entre nós atinge valores preocupantes pois revelam o desinteresse da maioria da população pela vida do País o que já é costume antigo e até levou Aquilino Ribeiro a dizer que Portugal era um país de “estassemarimbandistas”.

Mas isto acontece porquê?

Quem é responsável?

Em qualquer empresa a responsabilidade pelo comportamento do seu pessoal é dos seus gestores.

Num país democrático os responsáveis são obviamente os Órgãos de Soberania e os Autarcas, porque não tenhamos qualquer dúvida que esta enorme abstenção corresponde a erros igualmente enormes da gestão praticada.

Numa empresa privada se ela não apresenta bons resultados quando se fecha o balanço e o relatório de gestão anual os gestores responsáveis não têm participação nos lucros que aliás não existem.

Então, porque não se aplica ao Estado o mesmo critério: quer anualmente quanto ao orçamento quer no fim do mandato, portanto nas eleições seguintes, conforme os valores orçamentados e os da taxa de abstenção mostrarem o nível da gestão praticada.

Se corre mal ganham menos, para ganharem mais tem que correr bem.

E ninguém duvide que se houvesse este sistema a funcionar haveria muito menos casos de corrupção, não teria havido mortos em incêndios nem nunca teríamos cá “troikas” a corrigir as nossa falhas.

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