‘Verão com Melão’: Uma visita guiada à praia da Arrifana…

‘Verão com Melão’: Uma visita guiada à praia da Arrifana…

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A OPINIÃO de FILIPE LARA RAMOS Nadador-salvador coordenador no Algarve veraocommelao@gmail.com
A OPINIÃO de FILIPE LARA RAMOS
Nadador-salvador coordenador no Algarve
veraocommelao@gmail.com

A Praia da Arrifana foi a praia escolhida para a visita desta semana.

Localizada junto à pequena povoação de Arrifana, concelho algarvio de Aljezur, esta praia encontra-se integrada no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, sendo muito procurada para a prática de desportos náuticos, tais como o mergulho e o bodyboard, mas, principalmente, o surf.

Com um areal de mais de meio quilómetro de extensão, e protegida do vento e das rebentações por altas arribas xistosas, a Praia da Arrifana apresenta a forma de uma baía. No topo sul encontra-se uma enorme rocha vertical no mar, denominada de “Pedra da Agulha”. Já o topo norte é definido pela ponta da Atalaia, muito famosa pela apanha de percebes.

Vigiada durante a época balnear, a praia conta com apoio de restauração, parque de estacionamento, instalações sanitárias, aluguer de toldos e, ainda, um parque de campismo nas proximidades. É uma praia com Bandeira Azul.

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Para se lá chegar, há que seguir a sinalização que se encontra à direita, a poucos metros após a saída sul da Vila de Aljezur e, no final de uma subida, tomar a esquerda. O acesso pedonal faz-se por uma rampa ou através de escadas de madeira. Do lado direito destas, encontra-se o posto dos nadadores-salvadores, no qual estavam, neste dia, ao serviço Bruno Vieira de Campos e Fábio Felizardo. Este binómio trabalha na concessão da Arrifana Surfschool.

Estivemos, então, à conversa com os dois guardiões, ambos naturais de Aljezur. Bruno, de 29 anos, tem quatro anos de experiência como nadador-salvador e Fábio, com 27 anos de idade, já conta com 7 de experiência nesta profissão.

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Bruno Campos e Fábio Felizardo, nadadores-salvadores da Praia da Arrifana

Bruno, de olhos postos na água, diz que “a praia é, no geral, segura. Consoante as mudanças nos fundos, surgem um ou dois agueiros, sendo que um dos agueiros está sempre presente. Refere que as “picadas de peixe-aranha são frequentes nos dias de água mais quente. No entanto, o maior perigo nesta praia, atualmente, é o excesso de pessoas com prancha de surf, na sua maioria iniciantes, sem noção do que estão a fazer, colocando-se, e aos outros, em perigo”.

Fábio aproveita para dar alguns conselhos aos banhistas que frequentam a praia da Arrifana: “Os melhores conselhos que podemos dar aos banhistas é que respeitem a sinalização de perigo”. Acrescenta, ainda, que os banhistas “ ignoram sinais e conselhos dados por nós, desde o perigo da queda de arribas à sinalização de agueiros e, mesmo, a proibição de animais na praia. O veraneante ignora toda a sinalização”.

Com tristeza descrevem, em poucas palavras, o episódio mais marcante ao serviço enquanto nadadores-salvadores. “Foi, infelizmente, uma morte. Um senhor com vários fatores de risco associados teve um ataque cardíaco fulminante e acabou por falecer. Não conseguimos fazer nada para o ajudar. Nada fazia prever que tal incidente fosse acontecer. O dia estava calmo, a bandeira estava verde”. No entanto, referem “o senhor, a vítima, com historial de problemas cardíacos, excesso de peso e logo após ter almoçado, resolveu ir nadar. Teve o ataque cardíaco ainda dentro de água. Retirámos o senhor de dentro de água e iniciámos manobras de suporte básico de vida, mas não conseguirmos reverter a situação. Infelizmente, nem sempre as coisas correm como desejamos”.

Há um ano atrás, nesta mesma praia, Bruno e Fábio, curiosamente, os dois nadadores-salvadores que encontrámos hoje ao serviço, encontraram uma garrafa com uma mensagem vinda do Golfo do México, lançada ao mar a 20 de Março de 2011. Nesta garrafa, encontrava-se uma mensagem, um penso rápido e uma nota de um dólar. O insólito caso foi notícia nos jornais e nas televisões portuguesas. Mais informação pode ser encontrada em: http://www.sulinformacao.pt/2016/09/do-golfo-do-mexico-ate-aljezur-esta-garrafa-atravessou-o-atlantico/.

Deixamos a praia no momento que está a surgir o segundo agueiro. Após a entrevista, os dois nadadores-salvadores dirigem-se para a linha de água com a placa de sinalização “Perigo Agueiros” e de apito na mão.

Artigo publicado no âmbito da parceria entre o POSTAL e Filipe Lara Ramos ‘Verão com Melão’.

Esta rubrica destina-se a sensibilizar a população e fomentar a segurança nas praias durante a época balnear de 2017.

(NOTA: Os conselhos e indicações expressos neste artigo não dispensam o seguimento pelos leitores das regras gerais de segurança nas praias e das indicações das autoridades competentes em cada zona balnear).

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