A verdade e a mentira das vacinas, por Mário Cordeiro

A verdade e a mentira das vacinas, por Mário Cordeiro

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A OPINIÃO de BEJA SANTOS; Assessor do Instituto de Defesa do Consumidor; Consultor do POSTAL
A OPINIÃO de BEJA SANTOS;
Assessor do Instituto de Defesa do Consumidor;
Consultor do POSTAL

A Verdade e a Mentira das Vacinas, por Mário Cordeiro (Edições Desassossego do grupo Saída de Emergência, 2017) é uma obra em que um dos mais conceitos pediatras portugueses revela no prefácio que gostaria que já não fosse necessário escrever com abundância para desacreditar mitos, preconceitos, notícias e informações falsificadas e ideais paleolíticas. Recentemente o jornal digital Observador fez a pré-publicação de um capítulo intitulado: “Doze mitos perigosos, que é preciso desfazer, sobre as vacinas”. Pela assertividade das respostas categóricas, rapidamente o leitor se aperceberá de se trata de uma obra de consulta obrigatória, quando se é profissional de saúde, pai ou encarregado de educação.

É rotundamente falso, diz ele, que não há necessidade nenhuma em vacina graças às grandes melhorias das condições higio-sanitárias. Ele responde: se a melhoria sanitária geral de um qualquer país permite controlar muitas doenças infecciosas, não evita, todavia, a circulação dos microrganismos causadores das doenças evitáveis pela vacinação. Só a vacinação da população consegue evitar a ocorrências destas doenças. E recorda também que em países com condições sanitárias terríveis foi possível erradicar, por exemplo, a varíola ou controlar totalmente a poliomielite mesmo sem água corrente e com esgotos a céu aberto – isto graças apenas às vacinas.

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A capa do livro de Mario Cordeiro

É igualmente uma pura falsidade dizer que as vacinas têm imensos efeitos secundários e que há pessoas que dizem que sem vacinas não teríamos cancros. As vacinas são inofensivas. O risco de uma criança ter uma reacção adversa a uma vacina é muito, mesmo muito, inferior ao risco de uma complicação grave da doença que essa vacina previne. O que faz adoecer e mata são as doenças. A maioria das pessoas, no mundo ocidental, dado que as doenças evitáveis pela vacinação quase desapareceram, já não se lembram do que é uma meningite, uma pneumonia, surdez ou encefalite do sarampo, asfixia pela difteria, insuficiência respiratória por tosse convulsa, paralisia infantil pela poliomielite ou o que é morrer por varíola ou tuberculose.

Não passa de uma atoarda dizer que as vacinas podem causar a síndrome da morte súbita do lactente, esta nada tem a ver com vacinas. Como atoarda é propalar que as vacinas são uma coisa boa mas não se deve andar a gastar dinheiro e tempo com doenças que já não existem. É fazer orelhas moucas à realidade: tirando a varíola que já foi erradica do mundo inteiro e dispensa a vacinação, todas as outras doenças que podem ter pouca ou nenhuma expressão no nosso país ainda existem em muito outros. Não vivemos num mundo de fronteiras fechadas, se chegar a Portugal um cidadão de outro país com sarampo e encontrar uma população vacina, nada se passa. É igualmente atoarda dizer que a administração simultânea de várias vacinas pode aumentar o risco de efeitos secundários e sobrecarregar o sistema imunitário, abrindo portas a outras doenças. Todos os estudos científicos mostram que a administração simultânea de vacinas não causa qualquer problema, dado que a imunidade que cada uma delas estimula é independente. A administração simultânea de várias vacinas não aumenta as reacções secundárias.

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