POSTAL celebra aniversário de Álvaro de Campos com um mês de poemas

POSTAL celebra aniversário de Álvaro de Campos com um mês de poemas

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A cada dia o POSTAL divulga a obra Pessoana
A cada dia o POSTAL divulga a obra Pessoana

Na celebração anual da “Festa dos Anos de Álvaro de Campos” o POSTAL do ALGARVE une-se a esta iniciativa cultural e, em parceria com artistas e associações de Tavira, assinala o “aniversário” de Álvaro de Campos, o mais famoso dos heterónimos do poeta Fernando Pessoa, dedicando diariamente, durante o mês de Outubro, este espaço à divulgação do pensamento e obra Pessoana:

Existência

“Sou quem falhei ser.
Se ao menos eu por fora fosse tão
Interessante como sou por dentro!”
(Fernando Pessoa)

 

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A Verdadeira Liberdade

A liberdade, sim, a liberdade! 
A verdadeira liberdade! 
Pensar sem desejos nem convicções. 
Ser dono de si mesmo sem influência de romances! 
Existir sem Freud nem aeroplanos, 
Sem cabarets, nem na alma, sem velocidades, nem no cansaço! 

A liberdade do vagar, do pensamento são, do amor às coisas naturais 
A liberdade de amar a moral que é preciso dar à vida! 
Como o luar quando as nuvens abrem 
A grande liberdade cristã da minha infância que rezava 
Estende de repente sobre a terra inteira o seu manto de prata para mim… 
A liberdade, a lucidez, o raciocínio coerente, 
A noção jurídica da alma dos outros como humana, 
A alegria de ter estas coisas, e poder outra vez 
Gozar os campos sem referência a coisa nenhuma 
E beber água como se fosse todos os vinhos do mundo! 

Passos todos passinhos de criança… 
Sorriso da velha bondosa… 
Apertar da mão do amigo [sério?]… 
Que vida que tem sido a minha! 
Quanto tempo de espera no apeadeiro! 
Quanto viver pintado em impresso da vida! 

Ah, tenho uma sede sã. Dêem-me a liberdade, 
Dêem-ma no púcaro velho de ao pé do pote 
Da casa do campo da minha velha infância… 
Eu bebia e ele chiava, 
Eu era fresco e ele era fresco, 
E como eu não tinha nada que me ralasse, era livre. 
Que é do púcaro e da inocência? 
Que é de quem eu deveria ter sido? 
E salvo este desejo de liberdade e de bem e de ar, que é de mim?
(Álvaro de Campos)

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