Beatriz Batarda, Luísa Cruz e Sara Carinhas apresentam ‘As Criadas’ em Loulé

Beatriz Batarda, Luísa Cruz e Sara Carinhas apresentam ‘As Criadas’ em Loulé

1139
PARTILHE
As Criadas
“A partir do momento em que a patroa se ausenta, a fantasia rasga-se no imaginário de duas irmãs”

O Cine-Teatro Louletano apresenta nos dias 2 e 3 de Dezembro, pelas 21.30 horas e pelas 17 horas, respectivamente, a peça ‘As Criadas’, de Jean Genet, com encenação de Marco Martins, tradução de Matilde Campilho e interpretação de três conceituadas actrizes portuguesas da actualidade: Beatriz Batarda, Luísa Cruz e Sara Carinhas. Será a última apresentação a nível nacional deste espectáculo e a única realizada no Algarve.

Neste olhar de Marco Martins sobre o texto de Genet, o palco transforma-se num espaço de enclausuramento onde as três actrizes exploram as diversas identidades das personagens em construção. Sobre a peça pode ler-se “O ar é nauseante. Mas elas respiram-no. A partir do momento em que a patroa se ausenta, a fantasia rasga-se no imaginário de duas irmãs, que se transportam para longe das suas próprias vidas, numa fuga urgente de um quotidiano miserável”.

‘As Criadas’ é um texto iminentemente político

Para o encenador, trabalhar a genialidade de Genet é, como dizia Luís Miguel Cintra no programa de ‘A Varanda’, “tocar em tudo ao mesmo tempo, é um jogo perigoso, feito simultaneamente com todos os níveis da consciência. Da consciência humana, da consciência política, que, nunca é demais lembrá-lo já que está tão esquecido, nunca pode deixar de ser humana. Mas quantos níveis tem a consciência?”.

‘As Criadas’ é um texto iminentemente político “porque nos fala sobre o valor da liberdade e o confronto do indivíduo com o seu opressor, do infractor em permanente desafio à autoridade, evidenciando a brutalidade do crime como arma transformadora e a sexualidade desviante como forma de fazer tremer os alicerces das sociedades moralmente conservadoras”. Marco Martins considera que “’As Criadas’ são o Genet marginal, o Genet órfão, o Genet perverso e politicamente controverso, o autor que resiste a definições. Talvez a grande força e beleza da obra do autor resida mesmo no facto de ela resistir a todas as interpretações e definições; de ela nos iludir através das suas relações íntimas com o percurso pessoal do autor – ‘a minha escrita não é autobiográfica mas as minhas personagens relacionam-se com as minhas experiências’, dizia de forma provocadora numa entrevista”.

Arena Ensemble é responsável pela produção do espectáculo

Comentários no Facebook