Tavira – Os 30 anos da ‘Casa Álvaro de Campos’ e o...

Tavira – Os 30 anos da ‘Casa Álvaro de Campos’ e o monumento ao Poeta

269
PARTILHE
A OPINIÃO de RUI CABRITA; Tavira
A OPINIÃO de RUI CABRITA;
(Tavira)

“Numa cidade, a autenticidade é o desígnio mais importante de todos, pois só assim é possível manter viva uma identidade única e inconfundível, propósito maior de qualquer povo que se preze”.
(Fernando Silva Grade)

A atratividade da nossa cidade residirá porventura na feliz expressão de Jorge Queiroz quando refere:

“Tavira… Um excelente lugar para vivermos com tranquilidade e com a natureza. Que nunca se estrague este paraíso com artificializações e ideias de “desenvolvimento massificado”… A beleza está na simplicidade das coisas.”

E é por ser simples, bela e autentica que esta cidade está prenhe do nosso orgulho e desperta em nós uma constante apetência para a tornar ainda mais admirada. Com frequência, e das mais variadas origens, as manifestações de defesa do nosso património e cultura e as sugestões para se levarem a cabo as mais diversas realizações, algumas de grande simplicidade, dão disso grande testemunho e são uma excelente prova de vitalidade da nossa comunidade.

Este salutar espírito participativo deverá merecer a melhor das atenções por parte das entidades condutoras da nossa polis, obviamente declinando as “artificializações” e o “desenvolvimento massificado” bem como a rejeição de quaisquer “inovações” (aberrações), sejam elas construtivas ou das designadas “artes de rua”, que atentem contra a nossa tão apreciada “simplicidade” e harmonia. Dizemos sim à arte de rua que transmita os nossos valores culturais. Já temos “chupa-chupas”, “velas estilizadas” (ou será uma mitra?) e edifícios “agressores” quanto baste.

É nosso entendimento que a introdução de novos elementos artísticos deverá atender às memórias e aos valores culturais da cidade É na preservação das nossas tradições, na homenagem à memória dos nossos “maiores” que reside a essência desta nossa comunidade. Quanto vier de novo deverá constituir um reforço das nossas características, respeitando a memória e a identidade.

E foi com estes pressupostos que a “Casa Álvaro de Campos” viu, com enorme satisfação, incluída no programa de acção do Município “a homenagem da cidade ao poeta (Álvaro de Campos) através da exposição pública dum monumento alusivo”.

Temos aberto o trilho do reconhecimento e da importância cultural que Álvaro de Campos deve ter, como icone da nossa cidade.

Na ocasião em que a “Casa Álvaro de Campos” comemora os seus 30 anos de existência, como que se de uma prenda se tratasse, eis que toma “forma oficial” o mais importante e almejado projecto que sempre mereceu o especial empenho da nossa Associação, e para o qual manifesta inteira disponibilidade de colaboração.

Como bem refere a Presidente da Câmara Municipal de Setúbal, numa alusão a Bocage, também em Tavira se poderá identicamente afirmar:

“Queremos que a cidade, os tavirenses e todos os que fazem desta a sua terra se apropriem do poeta, que o sintam como seu, que o conheçam melhor, o declamem, falem dele, se alegrem e entristeçam com o que escreveu e sejam capazes de ler a atualidade das palavras que compôs….”

Fazendo jus à satisfação por ver publica e oficialmente assumido o compromisso da valorização da figura do poeta, a Casa Álvaro de Campos, manifesta o seu entusiasmo para incrementar acções que contribuam para que esta cidade continue a ser, a cada dia que passa, mais atrativa, exalando cultura e prosperidade.

Apraz-nos registar o empenho dos tavirenses nesta causa, desde já pelas formulações que já surgem sobre os possíveis artistas a convidar, pelas sugestões de locais de implantação do monumento, pela forma que o mesmo deverá assumir etc… etc…

Fomentemos pois esta onda participativa, daqui se sugerindo o lançamento dum muito apropriado concurso de ideias, como forma de tornar mais viva e transversal esta estruturante participação cidadã, elevando Tavira a patamares culturais que a referenciem, ainda mais, como a jóia do Algarve.

Lembramos que 2018 foi eleito o ano europeu do património cultural, e, como muito bem refere o comissário europeu da cultura “para continuarem a ser atrativas e prosperas no século XXI, as cidades portuguesas… devem empenhar-se ainda mais nas suas realizações culturais e criativas”.

A “Casa Álvaro de Campos” diz PRESENTE!