Bebés e crianças vegetarianas serão saudáveis?

Bebés e crianças vegetarianas serão saudáveis?

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Vera Belchior Naturopata Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção verabelchior@gmail.com
Vera Belchior
Naturopata
Perturbação de Hiperactividade
com Défice de Atenção
verabelchior@gmail.com

A ciência mostra conclusiva­mente que uma alimentação vegetariana ajuda a evitar a obesidade, as doenças cardía­cas, o cancro e outras condições de saúde.

Mas uma nova lei proposta na Itália argumenta que, sem produtos de ori­gem animal, as crianças não podem crescer de forma saudável.

Esta iniciativa não é nova mas des­ta vez ganhou mais voz nos quatro cantos do mundo (curiosamente em Itália parecem nem sequer fazer caso disso) quando uma deputada italia­na achou que devia impedir os pais de oferecer uma alimentação vegetariana aos filhos.

“Esta lei, se aprovada, fará com que os pais que alimentem os seus filhos até aos 16 anos com uma dieta considerada ‘inadequada’ (leia-se: vegeta­riana) sejam punidos com uma pena de prisão que pode ir de um a seis anos”.
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Será mesmo verdade? A ciência diz o contrário.

Uma alimentação de base vegetal bem planeada e suplementada com vitamina B12 oferece todos os nu­trientes necessários em todas as fases da infância, desde o nascimento até à adolescência.

As crianças mantêm uma alimenta­ção vegetariana nutritiva não só cres­cem fortes e saudáveis, como também vêem diminuído o risco de desenvolver obesidade, colesterol elevado, hiperten­são, doenças cardíacas e diabetes tipo 2.

Factos que provam que as dietas à base de plantas apoiam o crescimento saudável das crianças:

1. Os peritos confirmam que as dietas vegetarianas são seguras em todas as fases da vida

A American Dietetic Association afirma[1] que as dietas vegetarianas bem planeadas e suplementadas com vitamina B12 “são apropriadas para todas as fases do ciclo de vida, incluin­do a infância e adolescência”.

O grupo cita evidências mostrando que as pessoas que seguem uma ali­mentação de base vegetal têm meno­res níveis de colesterol, pressão arterial e taxas mais baixas de doença cardíaca e diabetes tipo 2 do que os não vege­tarianos (www.andjrnl.org/article/ S0002-8223(09)00700-7/abstract).

A Academy of Pediatrics concor­da[2]: “Bem planeada, os padrões ali­mentares vegetarianos são saudáveis para crianças e bebés”.

2. A maioria da alimentação das crianças é severamente deficientes em fruta e vegetais

Não são os produtos de origem animal que estão em falta nas dietas da maioria das crianças. São as frutas, os legumes, os cereais integrais e ou­tros alimentos que têm efeitos protec­tores contra os maiores assassinos do mundo, incluindo as doenças cardía­cas (1ª causa de morte em Portugal).

A maioria das crianças consome em excesso gordura saturada que en­tope as artérias e que é encontrado principalmente nos produtos lácteos e na carne[3].

3. Muitas crianças já têm factores de risco para doenças cardíacas
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A alimentação infantil é cada vez mais um tema na ordem do dia quando se trata de analisar a qualidade dos regimes alimentares tecidos pelos pais e educadores para as novas gerações

Um estudo[i] recente descobriu que 40% das crianças, com idades entre 6 e os 11 anos, já têm níveis elevados de colesterol e as taxas de hipertensão arterial[ii] também são cada vez mais comuns nas crianças.

Mais ainda, 1 em cada 3 crianças americanas[iii] e italianas[iv], têm excesso de peso ou são obesos, fa­zendo os riscos aumentarem.

Cerca de 70% das crianças obesas têm um ou mais factores de risco para doença cardiovascular. A do­ença cardiovascular é a principal causa de morte nos Estados Unidos e em Itália[v] (em Portugal tam­bém), onde as doenças do coração são responsáveis por 30% de todas as mortes.

No entanto, a alimentação vegeta­riana é praticamente isenta de coles­terol e pobre em gordura saturada (quando bem estruturada).

Os estudos têm demonstrado que a alimentação vegetariana pode aju­dar a prevenir, reverter e travar[vi] as doenças cardíacas nos adultos.

Um estudo da Cleveland Clinic lançado no ano passado mostrou que as dietas vegetarianas têm efei­tos semelhantes[vii] nas crianças com excesso de peso.

As crianças no grupo vegetaria­no reduziram os níveis de pressão arterial e colesterol, diminuíram de peso e baixaram a sensibilidade a dois biomarcadores para a doença cardiovascular.

4. Os índices de diabetes tipo 2 estão a aumentar em todo o mundo

Entre 2000 e 2009, a prevalência de diabetes tipo 2 disparou[viii] em mais de 30% nas crianças americanas.

Crianças com diabetes tipo 2 en­frentam um maior risco de compli­cações graves, como insuficiência renal, ataque cardíaco e acidente vascular cerebral. Se nada mudar, as projecções mostram que uma em cada três crianças irá desenvolver diabe­tes tipo 2 em algum momento das suas vidas.

A nível global, a história é seme­lhante. As taxas de diabetes em todo o mundo têm disparado de 108 milhões em 1980 para 422 mi­lhões em 2014.

Mas os estudos mostram que as pessoas que consomem dietas à base de plantas têm um menor ris­co de desenvolver diabetes tipo 2.

Portanto, voltando ao inicio do artigo, para se considerar cri­me um pai alimentar uma criança com base numa dieta vegetariana equilibrada, também se terá de pe­nalizar todos os outros pais que têm filhos obesos, com síndrome meta­bólico desde tenra idade e que lhes oferecem diariamente alimentos comprovadamente nocivos para a saúde.

E vou mais além…se é para pe­nalizar os pais de crianças vegeta­rianas e obesas também temos que penalizar o estado por oferecer às crianças alimentos prejudicais e inibidores de muitos nutrientes nas escolas, incluindo batatas frita, do­ces, bolos, gelados, gelatinas, leite, bolachas e por aí fora!

Acho muito bem que penalizem os tutores das crianças quando es­tes não lhes oferecem as condições para que estas cresçam com saúde, tanto física como psicológica, mas que seja uma medida transversal a todos os sectores e tipos de alimen­tação porque sim, da mesma manei­ra que há crianças que consomem animais que sofrem de deficiências nutricionais também os há nos ve­getarianos claro…mas o problema não passa pelo tipo de alimenta­ção que a criança recebe e sim pelo equilibro nutricional que pode es­tar tanto presente como ausente em qualquer regime alimentar.

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