Obesidade em Portugal

Obesidade em Portugal

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Rui André Personal trainer www.ruiandrecoaching.com
Rui André
Personal trainer
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A obesidade nas últimas décadas apresenta-se como uma das principais epide­miologias presentes na sociedade moderna, sendo uma realidade nos países em desenvolvimento e desenvolvidos. (Demon­geot & Taramasco, 2014). Segundo a World Health Organization (WHO, 2015) é uma doença crónica que constitui um problema grave para a saúde públi­ca, sendo a sua prevalência em crianças e adolescentes. Esta prevalência tem vindo a aumentar e 80% destes adolescentes serão obe­sos (Fonseca & De Matos, 2005).

A WHO (2014) diz que um em cada dez rapazes de 11 anos é obeso e o risco é maior de con­trair diabetes de tipo 2, asma, dificuldades em dormir, pro­blemas músculo-esqueléticos e doenças cardíacas, além de difi­culdades na escola, problemas psicológicos e isolamento social. Recentemente comprovou-se que a prevalência da obesidade nos adolescentes tem vindo a aumentar em Portugal (Viveiro, Brito, & Moleiro, 2016).

Portugal é dos países euro­peus com mais excesso de peso infantil.

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Portugal é um dos países europeus com mais excesso de peso infantil
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Estima-se que em 2020 a obesidade afete 21% dos portu­gueses e 22% das portuguesas, valores que sobem em 2030 para 27% e 26% em ambos os sexos (WHO, 2014). Portugal está entre os países com piores indicadores: aos 11 anos, 32% das crianças têm peso a mais. A médio prazo é expectável que 30% a 50% das crianças se tornem obesas na idade adul­ta. A faixa etária não pode ser desvalorizada, quando falamos de obesidade. Com o envelhe­cimento da população, a preva­lência da obesidade aumenta.

A obesidade, atualmente, é um dos factores de risco com maior impacto em inúmeras patologias presentes na socieda­de, nomeadamente, as doenças cardiovasculares: a doença das artérias coronárias, a insuficiên­cia cardíaca, o enfarte do mio­cárdio, a disfunção ventricular, arritmias cardíacas, diabetes tipo II, alguns tipos de cancro, dislipidémia, entre muitas ou­tras (Gibson-Moore, 2012). Para além das doenças mencionadas, a obesidade também aumenta as complicações para a saúde, como por exemplo, uma per­ceção de bem-estar e qualida­de de vida debilitada (Wirth, Wabitsch, & Hauner, 2014).

Nutrição e exercício

A alimentação e o exer­cício físico são primordiais na resolução de problemas como a obesidade, indepen­dentemente da idade, estra­to social ou diferenciação e por norma caminham lado a lado, para que resultados satisfatórios sejam obtidos tanto em moda como hoje. Facilmente lemos, ouvimos e vemos estas associações diariamente, mas continu­amos a ser um país em que mais de metade da popula­ção tem excesso de peso e as crianças fazem parte das que mais tem excesso de peso. É importante pensar seria­mente nestas duas questões e fazemos alguma coisa para promovermos saúde pública.

Os dados são alarmantes e para quem é obeso o so­frimento é muito grande. A luta é constante, a cada dia, a cada refeição, a cada con­fronto com o espelho, com o próprio roupeiro, porque nada fica bem e o maior pro­blema de todos, enfrentar o mundo.

O sofrimento psicológico é um dos efeitos mais preocu­pantes que a obesidade ma­nifesta, principalmente na adolescência devido as trans­formações bio-psico-sociais desta fase de desenvolvimen­to, sendo determinante no aparecimento de perturba­ções que podem afetar uma vida. Estas perturbações in­cluem as de natureza emo­cional, como a depressão e ansiedade, frequentemente associadas à ingestão excessi­va de alimentos (Apfeldorfer, 1997; cit. por Pereira, 2007; Silva et al., 2008) automutila­ções e tentativas de suicídios, comportamentos de risco ao nível do abuso de subs­tâncias, da sexualidade e do comportamento alimentar, como sejam dietas altamente restritivas e bulimia (Kiess et al., 2001) e fraca qualidade de vida (Daniels et al., 2005).

Actividade física e Exercício físico
Rui Andre
A obesidade é considerada pela Organização Mundial de Saúde uma epidemia de características socio-comportamentais e que constitui um dos maiores problemas de saúde pública da actualidade

Antes de mais é importan­te definir bem estes concei­tos uma vez que existe muita controvérsia sobre eles. A ati­vidade física (AF) é definida como qualquer movimento corporal produzido pela contração músculo-esquelé­tica que resulta num aumen­to do dispêndio energético enquanto o exercício físico (EF) é um tipo de actividade que consiste em movimen­tos planeados, estruturados e repetitivos com o objetivo de melhorar e/ou manter uma ou mais componentes da capacidade física (ACSM, 2014).

Alguns benefícios de uma prática regular de AF são:
  • Melhorias na função cardio­vascular e respiratória;
  • Redução dos factores de risco para doenças cardiovasculares;
  • Diminuição da ansiedade e depressão;
  • Melhoria na função cognitiva;
  • Melhoria na capacidade fun­cional e independência em idosos;
  • Sentimento de bem-estar

A prática de AF regular diminuí os riscos derivados da obesidade melhorando a nossa capacidade cardiorres­piratória. Além disso, redu­zimos ainda mais os riscos através do controlo peso e melhoria da saúde em geral.

A prescrição do exercício é adequada para adultos aparentemente saudáveis, em que o objetivo passa por melhorar a capacidade físi­ca e simultaneamente a sua saúde, podendo ser aplicada a adultos com certas doen­ças crónicas, incapacidades ou outras condições, quan­do monitorizados de forma apropriada, para a maioria dos adultos, um programa de exercícios deve incluir exercí­cios aeróbios, de resistência e força muscular, flexibilidade e exercícios neuromotores (ACSM, 2014).

Conclusão

É preciso intervir o quanto antes para lutarmos contra esta epidemia e sensibilizar para todos os problemas as­sociados à obesidade e exces­so de peso, entre os quais se destacam as doenças cardio­vasculares e diabetes mellitus. Entre as principais causas para os elevados níveis de obesida­de estão maus hábitos alimen­tares, pouca actividade física e comportamentos sedentários.

É necessário aumentar a acti­vidade física, principalmente nas crianças e sensibilizar os pais para a redução de horas excessivas em frente aos com­putadores e videojogos não ultrapassando as duas horas diárias.

Uma criança melhor será é um adulto melhor!
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Algumas das consequências da obesidade

Temos que intervir com equi­pas multidisciplinares: no âm­bito da modificação compor­tamental, do aconselhamento nutricional e da prática de acti­vidade física e exercício físico. É necessário adotar um estilo de vida saudável, para além da per­da de peso onde por si só trará inúmeros benefícios para a saú­de e para o bem-estar individual.

Se formos mais seremos melhores!

Com este acompanhamen­to conseguimos intervir em todas as áreas fulcrais sen­do é necessário definir me­tas razoáveis e reais a longo prazo para que esta doença deixe de ser crónica e con­sigamos ter uma vida mais saudável.

Temos que aumentar o consumo de vegetais, frutas e grãos integrais, não esque­cendo as fibras alimentares, antioxidantes para a pre­venção de doenças cardio­vasculares. Manter o peso saudável aleado de activida­de física regular (Hazinski et al., 2015).

Actualmente, o American College of Sports Medicine (ACSM, 2014), a World He­alth Organization (WHO, 2015) e o Centers of Disea­se Control And Prevention (CDC, 2007) recomendam que as pessoas adultas pra­tiquem um mínimo de 30 minutos de actividade física moderada.

A actividade física regular ao longo de meses e anos pode produzir benefícios de saúde a longo prazo.

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