Águas do Algarve considera urgente dar voz à água

Águas do Algarve considera urgente dar voz à água

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Teresa Fernandes
Teresa Fernandes acredita que a água estará no centro dos principais debates políticos nas próximas décadas

A Água é um recurso limitado e essencial à vida que deve ser bem gerido para satisfazer as necessidades actuais, sem, no entanto, colocar em causa a sua disponibilidade para as gerações futuras, tanto em quantidade como em qualidade. É neste sentido que Teresa Fernandes, responsável pela Comunicação da Águas do Algarve, considera ser “preciso dar voz à Água! Temos de falar sobre esta questão! A escassez de água afecta toda a humanidade e acarreta um nível de gravidade tal que poucos se atrevem a equacionar esta probabilidade como sendo real. São, contudo, desafios que devem e podem ser encarados de forma positiva e como oportunidade de desenvolvimento estratégico, para que possamos continuar a garantir as necessidades actuais sem comprometer o futuro, sempre num quadro de desenvolvimento sustentável!”.

Teresa Fernandes não tem dúvidas em afirmar que nas próximas décadas a água estará no centro dos principais debates políticos e será um dos maiores desafios, não apenas no Algarve ou no país mas em todo o planeta”.

Actual situação de seca traduz vulnerabilidade do planeta

“As actuais alterações climáticas e a escassez de água já se fazem sentir e apontam para que este seja um dos grandes desafios do futuro, já com vários cenários no planeta acerca da vulnerabilidade dos recursos hídricos, que são a matéria-prima da Águas do Algarve. Esta é precisamente uma das questões que nos levou à organização dos Desafios da Água”, afirma Teresa Fernandes.

“A opinião pública começa já a ter uma maior percepção relativamente às alterações climáticas e à consequente falta de chuva que leva aos períodos de seca cada vez mais frequentes e longos, considerando já a escassez ou mesmo a falta de água nas suas casas como uma realidade. Veja-se que em 2016/2017 pouco choveu e Outubro de 2017 foi o mês mais quente dos últimos 87 anos, com uma temperatura média do ar com cerca de 3 °C acima do valor normal. Esta actual situação de seca que se vive no nosso país mostra-nos, de forma clara e evidente, o quanto estamos e somos vulneráveis nesta questão que é a água. A previsão futura, de acordo com os especialistas, é a de que estes eventos climáticos se tornem mais frequentes.

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Certo será que teremos que nos readaptar e aprender a conviver com uma nova realidade”, utilizando de forma mais eficiente os recursos disponíveis e os próprios ecossistemas a eles associados e adoptando uma gestão integrada do ciclo urbano da água.

agua
Todos podemos ajudar a poupar água com pequenos gestos do dia-a-dia
Pequenos gestos podem fazer a diferença

A Águas do Algarve é responsável pela exploração e gestão dos Sistemas Multimunicipais de Abastecimento de Água e de Saneamento da região, de forma a garantir o fornecimento de água a toda a população e o adequado tratamento das águas residuais, antes de serem devolvidas ao meio ambiente, mas todos podemos contribuir de forma individual para que a utilização da água seja feita de forma mais eficiente.

Teresa Fernandes garante que “pequenos gestos do dia-a-dia podem ajudar a poupar água. Cada um de nós, individualmente, pode e deve fazer a diferença. Todos nós temos a obrigação de efectuar opções inteligentes e ambientalmente correctas, que minimizem quer a frequência, quer os efeitos das consequências das alterações climáticas, questionando os nossos padrões de vida, de forma a adoptar comportamentos sustentáveis (podemos, por exemplo, evitar o desperdício usando as máquinas de lavar só quando estiverem cheias, instalando redutores de caudal nas torneiras, reutilizando a água para lavagens ou rega de plantas, boas práticas energéticas, aproveitar a energia de fontes alternativas, preferir os transportes mais eficientes, reduzir, reutilizar e reciclar, ou mudar hábitos que visem a minimização de desperdício no geral)”.

Mas além do bom uso doméstico deste recurso, Teresa Fernandes afirma ainda que é importante não esquecer o sector pecuário e a agrícola, que representam cerca de 75% do gasto total de água. A Águas do Algarve considera por isso que “a gestão florestal, agrícola e pecuária devem ser alvo de maior ‘discussão’ e ainda com maior pertinência considerando o actual contexto de mudanças climáticas. A gestão integrada de recursos naturais, onde a água desempenha um papel decisivo, constitui um enorme desafio às entidades institucionais na reflexão de novos objectivos e modelos administrativos materializados numa gestão integrada dos recursos”.

Desafios da Água reúne especialistas nacionais e internacionais na temática

A criação de incentivos, o compromisso, a consciencialização e a educação são por isso pilares fundamentais na gestão eficiente e inteligente do uso da água e o encontro Desafios da Água é único pelas características que apresenta, com uma pesada vertente educacional voltada para os mais jovens que serão os nossos especialistas de amanhã. Com quase uma centena de expositores e com alguns dos maiores especialistas nacionais e internacionais nesta temática, a Águas do Algarve está “a envidar todos os esforços para transformar estes dois dias de Desafios em momentos que marcarão todos aqueles que por ali passarem”, contribuindo para definir uma estratégia de sustentabilidade na gestão do Ciclo Urbano da Água.

O encontro acontece já nos próximos dias 1 e 2 de Março, no Palácio de Congressos da Herdade dos Salgados, em Albufeira.

(Cátia Marcelino / Henrique Dias Freire)

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