A criança e a doença celíaca

A criança e a doença celíaca

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A OPINIÃO de BEJA SANTOS; Assessor do Instituto de Defesa do Consumidor; Consultor do POSTAL
A OPINIÃO de BEJA SANTOS;
Assessor do Instituto de Defesa do Consumidor;
Consultor do POSTAL

A alergia alimentar é uma resposta do sistema imunitário a um componente de um alimento, geralmente uma proteína, é uma reacção a algo como se fosse um “inimigo”. Os alimentos que contêm esse componente têm de ser eliminados do regime alimentar. As intolerâncias alimentares manifestam-se através de problemas digestivos (azia, náuseas, diarreia, refluxo gastroesofágico, sensação de enfartamento); de reacções inflamatórias intestinais; de doenças de pele, e algo mais. As intolerâncias mais comuns são à lactose, ao glúten, aos aditivos alimentares, ao vinho, ao queijo e ao chocolate.

A doença celíaca é uma intolerância causada por uma doença autoimune (ocorre quando o sistema imunológico ataca e destrói tecidos saudáveis do corpo por engano) do intestino, resultando numa permanente sensibilidade ao glúten em indivíduos geneticamente susceptíveis. Importa esclarecer que o glúten é uma proteína que se encontra no trigo e no centeio e, em menor grau, na cevada e na aveia. Na doença celíaca, parte da molécula do glúten combina-se com anticorpos no intestino delgado, fazendo com que a mucosa intestinal, que normalmente tem uma forma de escova, fique atrofiada e plana.

Esta doença pode começar em qualquer idade. Nos bebés, os sintomas só aparecem depois de ingerirem pela primeira vez alimentos que contenham glúten, habitualmente entre os 6 e 20 meses de idade, após a introdução de farinhas na alimentação.

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As manifestações são: diarreia prolongada, pouco ganho de peso ou perda de peso, distensão e dor abdominal, por vezes obstipação e vómitos, anemia por deficiência de ferro. Nos casos mais graves surgem edemas (inchaços) por baixas concentrações sanguíneas de albumina ou de potássio. As jovens com doença celíaca podem sofrer de irregularidades menstruais.

O único tratamento cientificamente provado para a doença celíaca é ter uma alimentação sem glúten, este regime alimentar irá conduzir ao desaparecimento dos sintomas e à resolução das alterações existentes no intestino delgado. O glúten está presente de forma generalizada em alimentos já preparados, nos quais a farinha de trigo se utiliza como espessante. Actualmente, já existe no mercado uma vasta gama de produtos especiais sem glúten. São exemplos de alimentos isentos de glúten o milho, o arroz, a batata, a soja, o leite, a fruta, os vegetais, a carne e o peixe.

Manda a prudência que as pessoas com doença celíaca devem ser cautelosas quando fazem alguma refeição fora de casa ou quando vão a festas; o glúten, além dos alimentos, pode ser encontrado em produtos já preparados e em alguns medicamentos, pelo que a leitura dos rótulos dos produtos é de extrema importância; o pessoal dos bufetes e das cantinas escolares tem vindo a receber formação sobre alergias e intolerâncias – quando os pais ou os alunos informam a escola destas situações alimentares, deve-se propor que a família ou aluno informem também os familiares, os amigos, os colegas e os encarregados de educação destes.

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