EM CONTRAMÃO: Uma certidão de óbito chamada Taxa Turística

EM CONTRAMÃO: Uma certidão de óbito chamada Taxa Turística

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A OPINIÃO de ELISEU CORREIA; Managing director EC Travel; eliseucorreia@sapo.pt
A OPINIÃO de ELISEU CORREIA;
Managing director EC Travel;
eliseucorreia@sapo.pt

Apetece-me dizer “Não perdoes, apesar de não saberem o que fazem”.

Vejamos…

Não se consegue unanimidade para acabar com as portagens,

Não se consegue unanimidade para melhorar a vergonha do Hospital de Faro,

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Não se consegue unanimidade para pressionar a TAP,

Não se consegue unanimidade para porra nenhuma, mas agora para uma taxa, ou seja, para sacar dinheiro fácil, aí  já estão todos de acordo.

Todos menos uma (obrigado Silves) e menos outros que não estão de acordo mas não o sabemos porque não o assumem publicamente, logo, estão de acordo.

Numa altura em que com as falências da Monarch, Nikki e Airberlin desapareceram mais de 140.000 lugares de avião sem que ninguém tenha explicado em detalhe quanto e quando se recupera seja o que for, numa altura em que a Turquia, o Egipto, a Grécia, etc, estão a reconquistar os seus shares com crescimentos de dois a três dígitos percentuais mas, pior do que isso, com centenas de milhares de reservas já em carteira a mais do que no ano anterior, num ano em que o Algarve em conjunto com as Baleares e as Canárias é o grande perdedor como destino balnear, numa altura em que nossos voos para cá são em media 30-35% mais caros que para outros destinos concorrentes, numa altura em que ainda ninguém percebeu em detalhe o efeito Brexit, as nossas câmaras decidiram por UNANIMIDADE (chocante) impor uma taxa turística.

E pior do que isso… não ouviram ninguém e não falaram  com ninguém.

Se ouvissem ou falassem com alguém saberiam o que foi mencionado acima, saberiam também que Lisboa e Porto têm taxas porque a estadia mínima é imensuravelmente mais baixa, saberiam que na região onde exercem os apartamentos turísticos têm mais do que dois ocupantes por estadia, saberiam que esta taxa pode significar um aumento consoante as épocas turísticas de entre 10 a 20% no preço final e também saberiam que o saber não ocupa espaço.

Deveriam ter falado com quem sabe. Mais grave… é que alguns até têm “conselheiros” turísticos nas suas casas pagas com os nossos impostos, que das duas três… ou também não sabem, ou sabem e não foram ouvidos. Seja como for, se assim o é, não estão lá a fazer nada.

Andamos nós por esse mundo fora sem armas a trazer gente para cá, contra tudo e contra todos, e são os da terra a complicar o que já está difícil.

Se as câmaras precisam de dinheiro que o peçam ao poder central, mas não taxem aqueles que são a nossa principal fonte de receita e que vêm para cá porque querem e também deixarão de vir quando quiserem.

E espero também que as associações e organismos turísticos locais façam o seu trabalho e contribuam para que haja bom senso e inteligência comercial.

Se assim não for já imagino empresas a mudarem as suas sedes para fora da região, deixando as câmaras de receber derrama para não falar, como é óbvio, que o próximo passo serão os despedimentos.

As empresas daqui não vão ter outra hipótese.

Tenho esperança mas pouca fé, que o bom senso impere, que o futuro não seja hipotecado por receita fácil, para que alguns não entrem na História como os cangalheiros do Turismo.

Há uma expressão muito utilizada no meio turístico “Não está morto, está mal enterrado”.

E é assim que todos os algarvios se devem sentir com esta decisão.

Porque isto toca a todos.

Sem excepção.

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