EM CONTRAMÃO: Em vida

EM CONTRAMÃO: Em vida

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A OPINIÃO de ELISEU CORREIA; Managing director EC Travel; eliseucorreia@sapo.pt
A OPINIÃO de ELISEU CORREIA;
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eliseucorreia@sapo.pt

A cultura dum povo é a sua voz.

E a nossa voz para falar bem ou elogiar alguém costuma ser muda.

Temos como característica enraizada a inveja.

Esse grito negro de incapacidade própria e desvalorização alheia.

Essa manifestação de inutilidade e falta de carácter para reconhecer nos outros aquilo que não conseguimos fazer.

É assim em vida e infelizmente na morte.

Sempre que alguém parte, é espantosa a adjectivação positiva que se faz do defunto, as homenagens à sua memória épica e afins.

Diz o povo que sempre que alguém parte, parte um santo.

E quando morrem são todos bons.

Talvez fosse bom que a malta pensasse em homenagear e dizer se o apreço que se tem por alguém (se for verdadeiro) em vida para quem merece tamanho elogio possa desfrutar do mesmo e não depois de estar em cinzas ou debaixo da terra.

Manifestar o apreço, o respeito e porque não a admiração que se tem por alguém que faz bem, pratica o bem ou ambos.

Chegar ao pé de alguém e dizer-lhe “fizeste um bom trabalho” , “fizeste o que não seria capaz de fazer, parabéns”.

Tanto na vida profissional como pessoal.

Ter o privilégio de ver nos olhos aquela felicidade sem preço de quem recebe.

O coração cheio do reconhecimento por alguém.

Não custa nada, vale a pena pensar nisto.

Em vida.

P.S.: uma nota rápida para o Diogo Piçarra que tomou a decisão certa ao abandonar aquele circo. Foi preciso ter coragem para fazer aquilo.

E outra para o Júlio Resende que ontem devia ter ganho aquilo, mas infelizmente outros valores se levantam.

Dois grandes algarvios.

Dois motivos de orgulho.

Fica aqui a homenagem, em vida.

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